Ato Fora Bolsonaro Racista marcou o Dia da Consciência Negra

Na tarde deste sábado, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, nem a chuva impediu manifestantes vindos de todos os cantos do Distrito Federal de se encontrarem no Museu Nacional, no centro da capital federal, para gritar Fora Bolsonaro! Representantes de diversos movimentos sociais, entidades sindicais, partidos políticos e, sobretudo, do movimento negro se uniram, mais uma vez, para exigir um basta a esse governo racista e genocida.

Vilmara Carmo, diretora da Secretaria de Mulheres do Sinpro, destacou que as mulheres negras são o setor da população mais atingido pelo desemprego, pela fome, pela falta de moradia digna. “Este 20 de novembro também é pra protestar em defesa da vida das mulheres negras, e por reparação já!”, disse ela.

Para Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF, é fundamental contextualizar a consciência negra, o combate ao racismo e as discriminações no mundo do trabalho na luta por mais direitos, educação serviço público, saúde. “Sabemos que a população negra é a que mais sofre com a destruição do Estado, por isso, temos que levantar a voz contra a PEC 32 e exigir fora Bolsonaro”, falou ele.

A secretária-geral da CUT nacional, Carmen Foro concorda. Ela enfatizou que a estratégia da central é estar ao lado dos e das que lutam: “É inaceitável que haja trabalhadores(as) que ganham menos por serem negros ou negras”, disse ela. “Por isso, as entidades filiadas à CUT buscam dar visibilidade à luta do povo negro, sempre dando esse recorte às lutas das categorias”, completou.

Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro, falou sobre o quanto os ataques à educação pública trazem prejuízos, em especial, para os jovens negros e negras. Ela lembrou que a queda da participação dos estudantes das escolas públicas no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) revela uma opção consciente do governo de Bolsonaro de aprofundar as desigualdades sociais: “Nossos estudantes foram excluídos do processo porque o governo não assumiu seu papel de lhes oferecer as condições e as ferramentas para seguirem com seus estudos”, disse ela.

Geovanny Silva, militante do Movimento Negro Unificado (MNU), também abordou a questão da juventude negra. Ele falou das tristes estatísticas que mostram os assustadores índices de assassinato desses jovens, especialmente nas periferias. “Atos como este de hoje são fundamentais para a sociedade brasileira, que teve uma abolição inacabada. O Brasil não assegurou cidadania plena ao povo negro até hoje”, ele apontou. “O racismo, o genocídio da juventude negra, os ataques às religiões de matrizes africanas, são demonstrações de que precisamos sim estar nas ruas”.

Além das lideranças sociais, o ato contou com a presença e a intervenção de parlamentares da Câmara Legislativa, como Arlete Sampaio e Fábio Félix, e da Câmara Federal, como Érika Kokay.

Márcia Gilda, diretora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, também saudou a realização do ato: “O racismo de Bolsonaro aprofunda as desigualdades no Brasil. A população negra é vítima preferencial do caos social e sanitário brasileiro, sendo a que mais sofre com as doenças, o desemprego, violência e a fome. Não é mais possível viver sob o terror de Estado provocado por Bolsonaro que, com seu discurso de ódio, inflama seus apoiadores a discriminarem outras etnias! Chega! Basta! Não há democracia, onde há racismo!”, disse ela.