Assassinato de Moa do Katendê revela clima de ódio e fascismo instaurado no país

Na última segunda-feira (8), um dia após brasileiros e brasileiras expressarem suas opiniões através do voto, um assassinato com motivações políticas chocou o país. O mestre de capoeira, Romualdo Rosário da Coisa, conhecido como Moa do Katendê, famoso capoeirista baiano de 63 anos, foi morto covardemente, em um bar de Salvador. Romualdo foi assassinado com 12 facadas nas costas, após declarar apoio ao candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad.
O responsável pela morte do capoeirista foi um eleitor de Jair Bolsonaro, o barbeiro Paulo Sérgio Ferreira Santana, autor confesso do crime.
Segundo relatos de testemunhas à polícia, Moa do Katendê e o agressor defendiam seus candidatos, quando começaram uma discussão. Santana foi até sua casa, pegou uma faca, voltou ao bar e esfaqueou o mestre capoeirista. A briga feriu também o primo do mestre, Germínio do Amor Divino Pereira, atingido no braço.
O autor foi preso em casa e apresentado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde aguardará o término das investigações  e será indiciado por homicídio e tentativa de homicídio.
Romualdo era compositor, dançarino, capoeirista, percussionista Ogã, artesão e educador na propagação da cultura afro-brasileira e completaria 64 anos de vida no dia 29 deste mês de outubro.
O enterro do mestre se tornou ato de repúdio à candidatura de Bolsonaro. O corpo foi sepultado ao som de uma orquestra de berimbaus. Além de familiares e amigos, artistas, personalidades negras baianas e secretários de Estado estiveram presentes na despedida. O PT da Bahia, o ex-ministro Jaques Wagner e deputados da legenda aproveitaram o fato para emitir notas contra o que chamaram de “propagação do discurso de ódio na política”. O governador reeleito Rui Costa (PT) declarou que pediu à polícia a investigação rigorosa do fato e também pregou contra o ódio.
Sem dúvida, este triste episódio representa o perigo do pensamento extremista à direita que emergiu das urnas nessa eleição. A morte do mestre Moa é um alerta para o sentimento de medo que se propagou pelo país, através do discurso de ódio de Bolsonaro: “uma espécie de permissão para bradar preconceitos sem punição e ainda calar vozes contrárias”.
Exemplo disso é que na primeira fala de Jair Bolsonaro após o resultado do último domingo, ele afirmou que irá abolir todo ativismo do país.  Alguns veículos de comunicação classificaram o crime como a representação da morte lenta da democracia.
Para o Sinpro/DF, o país se encontra mergulhado em um clima de tirania e ditadura. No dia 28 de outubro, os brasileiros e brasileiras decidirão se querem a democracia ou fascismo.
 
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