Artigo: Com licença, eu vou à luta

Neste 8 de março de 2016, e em todos os dias, nós vamos à luta!
IMG-20160308-WA0069
 
Por Eliceuda França*
Diante da crise por que passa a democracia e da ameaça aos direitos conquistados das trabalhadoras e trabalhadores, nós, mulheres, maioria da educação básica no Distrito Federal e no Brasil, entendemos que nossa tarefa de educar vai além do espaço da sala de aula. Nosso lugar é em todo lugar, em qualquer lugar, é onde a gente quiser estar.
Por isso, com licença, eu vou à luta contra toda forma de violência sexual contra meninas e mulheres; pelo direito à creche e a uma educação integral gratuitas e públicas de qualidade; por uma reforma política que garanta a paridade na representação feminina nos espaços de poder; por emprego e isonomia salarial com os homens, bem como igualdade de oportunidades no mundo do trabalho; por uma educação não sexista, patriarcalista, lesbofóbica e racista.
Com licença, eu vou à luta, mas não estou só. Somos e seremos milhares nas ruas e praças, marchando, exigindo justiça social e igualdade. Foi assim na Marcha das Margaridas. Em conjunto com as camponesas, nós, mulheres da cidade, marchamos e marcharemos até que todas sejamos livres e tenhamos conquistado autonomia a soberania alimentar.
Na Primavera Feminista, apropriamo-nos das “hashtags” e enfrentamos os discursos machistas nas redes sociais. Ocupamos as ruas e marchamos, com as bênçãos divinas dos orixás, com as mulheres negras contra o racismo, a violência e o fundamentalismo religioso. Ecoamos o grito do bem viver.
Com licença, nós, mulheres educadoras, estamos na luta pelo enfrentamento das desigualdades na educação. Que o Plano Nacional de Educação (PNE) e o Plano Distrital de Educação (PDE) reafirmem nosso compromisso com a igualdade de gênero, uma vez que falar em identidade de gênero significa combater diferenças entre homens e mulheres em todos os sentidos; combater todas as discriminações e violências, como a de meninos contra meninas, a contra os gays e transexuais, o expressa no racismo, e todas as demais violências e desigualdades presentes no ambiente escolar.
Estamos na luta fazendo história. Em 2016 celebramos dez anos da Lei Maria da Penha. Essa lei ensejou outras conquistas importantes, como, por exemplo, a recentemente sancionada, a Lei do Feminicídio e a Lei Complementar nº 150/2015, que regulamenta os direitos trabalhistas das domésticas. E segue a luta…
Nós, educadoras, sempre estivemos na luta pela conquista e ampliação de nossos direitos. Em março de 2016, o Sinpro-DF comemora 37 anos, com uma história e posicionamento de vanguarda. Temos consolidada uma secretaria de mulheres que elabora e executa políticas que promovem a igualdade, a paridade e a participação das mulheres.
Conquistamos a paridade na composição da diretoria colegiada, nas mesas e comissões de negociação. Recentemente, reafirmamos essa igualdade nas assembleias com o direito às falas com alternância de gênero e fazemos o enfrentamento à violência contra as mulheres.
Incentivamos a ocupação de espaços de poder e de gestão da educação por mulheres, com uma postura diferenciada do machismo e do autoritarismo. Depois do jornal Sinpro Mulher, amadurecemos o discurso e passamos a produzir a revista Sinpro Mulher, que está na terceira edição. Temos a alegria de reconhecer a ousadia de muitas companheiras na luta por meio do Prêmio Mulher Educadora – Cidadã do Mundo.
Neste dia estamos espalhadas em cada escola, celebrando a luta e o 8 de Março. Neste Dia Internacional da Mulher estaremos com os movimentos sociais, feministas e sindicais, às 16 horas, participando do Março Lilás, na Rodoviária do Plano Piloto. E, às 19 horas, no Sinpro-DF, faremos um debate pelo enfrentamento à violência contra meninas e meninos.
Nós, mulheres educadoras, temos a certeza de que nossas conquistas são fruto de nossa organização em movimentos sociais, feministas, estudantis, centrais e sindicatos. Nessa conjuntura de desrespeito aos direitos sociais e trabalhistas, estaremos prontas para fazer o enfrentamento. Não abrimos mão de nenhum direito e estamos firmes para a defender a democracia em nosso país.
Com licença, eu vou à luta e aviso que, se mexeu com uma, mexeu com todas.
*Eliceuda França – coordenadora da Secretaria de Assuntos para Mulheres Educadoras do Sinpro-DF

Skip to content