Após um ano de interdição, comunidade escolar do Caic Castello Branco continua sofrendo por negligência do GDF

Em 2018, devido a sérios problemas estruturais, a Defesa Civil interditou o Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic) Carlos Castello Branco, localizado no Setor Oeste do Gama. Mais de um ano se passou e, de lá para cá, pouca coisa mudou.

O Caic Carlos Castello Branco foi interditado em 4 de junho do ano passado com a promessa do Governo do Distrito Federal (GDF) de que em 90 dias instalaria a equipe do colégio e seus estudantes em uma estrutura única e provisória  nas proximidades da região, o que não aconteceu. E a situação que deveria ser temporária está muito longe de ser resolvida.

Atualmente, estudantes das séries iniciais do Ensino Fundamental e da Educação Infantil continuam amontados em um galpão na Escola Classe 29 e no Jardim de Infância 6. De acordo com o cronograma da Secretaria de Estado de Educação (SEDF), a expectativa agora é de que salas modulares de sejam construídas para atender a demanda, e a construção de uma nova estrutura está prevista para 2020. Até lá, os estudantes, professoras(es),  a equipe e toda comunidade escolar da regional continuam sofrendo.

O prédio do Caic possui problemas estruturais como, tetos com estrutura de ferro aparecendo, rachaduras, goteiras, graves problemas hidráulicos, risco de eletrocussão, incêndio e inundação. Porém, o cenário vivenciado na Escola Classe 29 e no Jardim de Infância 6 também não é dos melhores.

Lá, foi feita uma separação. O galpão da escola EC 29, que era usado para formações, apresentações etc., foi dividido em 16 salas e cada uma conta apenas com uma porta e uma janela.

De acordo com diretora do Caic, Yeda Alves Vieira, o espaço é pequeno e comporta, no máximo, 20 alunos. Yeda reitera ainda que só foi possível acomodar esse número de alunos porque devido a mudança de local, muitos estudantes foram transferidos.

                       Sinpro e comunidade escolar cobram solução 

Yeda explica que além de pequenas, o espaço não possui recursos básicos como, ventilação, espaço para recreação, área coberta, entrada de carros separada da entrada de alunos, divisão entre sala de aula e estacionamento. “Se no prédio do Caic tivemos até criança eletrocutada, aqui, a situação de perigo também é eminente. Já tivemos criança atropelada na entrada da sala porque não tem espaço para as crianças correrem e nem estacionamento separado. Isso mostra o risco a que estamos expostos. Crianças com problemas respiratórios por conta da poeira, sujeira e cascalho. Falta de água e muitos outros problemas que, somados, nos prejudicam ainda mais”, salienta.

No Caic eram atendidas, todos os dias, por até 10h, crianças de 2 e 3 anos. Com a interdição, elas foram para o Jardim de Infância 06 do Gama. Porém, o local não possui se quer espaço para banho, impossibilitando a continuidade da educação integral, uma prova da situação precária vivenciada. “Não temos nem mesmo atendimento de equipe. Ano passado, por exemplo, toda a coordenação foi feita em baixo de árvore porque não tinha sala disponíveis. Apenas uma sala para atender as demandas da secretaria, equipe, apoio, direção”, explica Yeda.

Para Yeda, apesar de ser um problema complexo, ela acredita que se houvesse maior interesse pela educação a situação já estaria resolvida. “Quando assumimos na profissão é porque acreditamos que com a educação podemos fazer a diferença. Os pais reclamam muito, as crianças adoecem o tempo inteiro e como mãe e professora fico muito triste em ver esta situação de descaso.  A partir de agora nos resta   aguardar mobilizados. Temos realizado reuniões mensais com conselho escolar e recebido apoio constante do Sinpro.  Seguiremos atentos a qualquer mudança”, concluiu a diretora.

O Sindicato tem dado todo o suporte e apoio desde a interdição e cobrado, em todas as reuniões de negociação com o governo, alguma solução. A diretora do Sinpro-DF, Letícia Montandon alerta que a morosidade traz prejuízos pedagógicos para os estudantes e para toda comunidade escolar. “Temos acompanhado de perto essa situação e cobrado do GDF uma solução. Não permitiremos fechamento de uma escola histórica por falta de planejamento e descaso. Lutamos constantemente pela construção de escolas, de reformas, e investimentos que garantam uma educação pública, gratuita e de qualidade”, ponderou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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