Grito dos Excluídos 2026 ecoa por Terra, Paz e Moradia com voz feminina

Com o tema “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, Erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas mobilizará multidões em todo Brasil no dia 7 de setembro. Em Brasília a manifestação será na Praça Zumbi dos Palmares, a partir das 9h30.
Esse ano, o grito dos excluídos deu ênfase especial à situação das mulheres, vítimas de uma violência estrutural que atinge níveis alarmantes. Os dados são contundentes: em 2025, foram registrados 1.568 feminicídios no Brasil, um recorde histórico que coloca o país entre as nações com as maiores taxas de violência contra a mulher no mundo. O grito de “Nenhuma a menos!” reverberou em atos e manifestações, cobrando políticas públicas efetivas e o fim da impunidade.
A jornada de lutas, que já se consolidou como um dos principais eventos de mobilização social do país, reuniu movimentos populares, pastorais, sindicatos e organizações da sociedade civil para denunciar as estruturas de opressão e reafirmar a primazia da vida sobre o capital. “É escolhido justamente o dia 7 de setembro, para questionar como e que independência nós temos, se ela não é para todos, se ainda temos tantos desafios enquanto sociedade”, declarou Caio Romão, diretor de políticas sociais do Sinpro.
A tríade Terra, Paz e Moradia, inspirada nos ensinamentos do Papa Francisco e na encíclica Laudato Si, foi o pilar das reflexões e reivindicações. O déficit habitacional de mais de 6 milhões de moradias e a especulação imobiliária que empurra pobres para periferias e áreas de risco foram duramente criticados. No campo, os conflitos por terra e o aumento dos assassinatos, que saltaram de 13 para 26 ocorrências entre 2024 e 2025, evidenciam a persistência de uma estrutura agrária concentradora e violenta. “O enfrentamento à violência contra mulheres é tarefa urgente de toda a sociedade. Não será possível construir uma sociedade melhor e inclusiva sem superar o machismo e a misoginia. Da mesma forma, não será possível construir uma cultura de paz sem garantir necessidades básicas como terra e moradia, isso somente será possível em uma nação soberana”, declara Cleber Soares, diretor do Sinpro.
A conjuntura internacional também marcou o 32º Grito. A atuação agressiva do imperialismo estadunidense, com ameaças tarifárias, intervenções militares e apoio a forças de extrema direita, foi alvo de denúncias. A solidariedade a Cuba, Venezuela e Palestina, países que sofrem bloqueios e ataques, foi reafirmada, assim como a defesa da soberania dos povos e a crítica ao neoliberalismo que aprofunda desigualdades.
Por fim, o Grito deste ano lançou um alerta sobre o papel das redes sociais e da grande mídia na manipulação da opinião pública, na disseminação de fake news e na banalização da violência. A defesa da comunicação popular, da regulação das plataformas digitais e da formação política das novas gerações foi apontada como estratégica para fortalecer a democracia e a consciência crítica.
Ao longo de sua trajetória, o Grito dos Excluídos se firma como uma voz profética e resistente, que não se cala diante das injustiças. Em 2026, mais uma vez, mostrou que a luta por um Brasil mais justo, soberano e fraterno passa necessariamente pelo combate ao machismo, pela defesa dos territórios e pela garantia de direitos básicos a todos e todas. “É o momento de questionar a nossa sociedade, a nossa organização, e lutar para garantir a dignidade humana. Na próxima segunda-feira, dia 7 de setembro, a partir das 09h30, na praça Zumbi dos Palmares, vamos soltar a voz de quem é silenciado e não tem seus direitos básicos na sociedade”, afirmou Caio Romão, diretor do Sinpro.
