Juventude que transforma: conheça os projetos vencedores do concurso
A juventude trabalhadora da educação mostrou, na prática, que a escola pública é também espaço de transformação social. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação divulgou as iniciativas vencedoras da 3ª edição do concurso Juventude que Muda a Educação Pública 2025, da CNTE, que reconhece ações protagonizadas por jovens educadores e educadoras nas redes públicas municipais e estaduais.
Criado para dar visibilidade a práticas pedagógicas comprometidas com os direitos humanos, a democracia e a Pedagogia Freireana, a 3ª edição do concurso selecionou cinco iniciativas que se destacaram pelo impacto social, pelo protagonismo juvenil e pelo diálogo com as comunidades escolares. As experiências vencedoras serão apresentadas em Brasília, durante o 1º Conselho Nacional de Entidades da CNTE de 2026, com direito a programação cultural na capital federal.
Para Luiz Felipe Krehan, coordenador do Coletivo de Juventude da CNTE, o concurso evidencia o compromisso da juventude com a educação pública e com o país. “O Juventude que Muda a Educação Pública mostra que essa juventude tem compromisso com o país e com a educação. É uma juventude que luta por direitos, que ensina outros jovens a lutarem pelos seus direitos e que desenvolve um trabalho feito com afinco, dedicação e muito compromisso, representando com orgulho a bonita profissão de educador”, destaca.
Segundo ele, a diversidade e a conexão territorial são marcas comuns entre os projetos vencedores. “Os projetos são muito diversificados: dialogam com cidadania, meio ambiente e fortalecem a ideia de comunidade e de raiz. Muitos deles trabalham a identidade local e o sentimento de pertencimento, que é uma marca importante da juventude”, afirma. Krehan ressalta ainda que as iniciativas refletem as realidades regionais e a pluralidade do país: “São projetos que nos ensinam sobre a diversidade do Brasil e mostram como a juventude da educação pública está conectada aos seus territórios e às suas comunidades”.
Formação política e protagonismo juvenil em Goiás
Em Águas Lindas de Goiás (GO), o projeto “Jovem Cidadão”, idealizado pela professora Camila Beatriz Faria, promoveu formação política e cidadã para estudantes da rede estadual. A iniciativa envolveu oficinas formativas, visitas pedagógicas a instituições como o Congresso Nacional, o Tribunal Regional Eleitoral e a Universidade de Brasília, além da produção autoral de redações e de um projeto de lei apresentado à Câmara Municipal.
Ao longo de 2025, o projeto impactou diretamente 45 estudantes e, de forma indireta, mais de 2.500 pessoas, ao engajar jovens na escuta da população para a elaboração do Plano Plurianual (PPA) do município. A proposta segue os princípios da Pedagogia Freireana e busca se consolidar, em 2026, como um Observatório da Juventude ou Conselho Municipal de Juventude.
Empoderamento feminino no campo, no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o projeto “O Campo é Delas: vozes e lutas das mulheres reais”, desenvolvido pela professora Paola Rezende Schettert, na Escola Estadual de Ensino Profissionalizante de Carazinho, colocou em evidência o protagonismo das mulheres no meio rural.
A iniciativa trabalha com alunas, professoras e profissionais da área técnica para discutir gênero, divisão do trabalho e direitos das mulheres no campo, por meio de pesquisas, entrevistas e produção de narrativas. Além de fortalecer a autoestima e a permanência das meninas na educação profissional, o projeto já resultou na produção de livretos biográficos e no reconhecimento em mostras pedagógicas, ampliando o debate sobre igualdade de gênero e justiça social no espaço escolar.
Alfabetização com identidade e saberes locais no Amapá
Em Tartarugalzinho (AP), o professor Geanderson de Matos Ferreira desenvolveu o projeto “Vozes Rurais”, na Escola Municipal José de Souza Campos, com foco na alfabetização crítica e no fortalecimento da identidade cultural dos estudantes.
A proposta valoriza os saberes da comunidade rural ao transformar histórias, práticas e conhecimentos locais — como a pesca, a agricultura e os costumes da região — em livros autorais produzidos pelas próprias crianças. Inspirado nos Círculos de Cultura de Paulo Freire, o projeto promove letramento com significado social, engajamento comunitário e preservação do patrimônio imaterial.
Educação antirracista e intercultural em Minas Gerais
Já em Contagem (MG), o projeto “Mitos, mitologias, religiões, diversidades: nossas vivências e territórios de memória”, desenvolvido pela professora Raíza Gomes Araújo de Paulo, da Escola Municipal em Tempo Integral Professora Audrei Consolação Ferreira de Freitas Costa, promoveu um ensino de História crítico, antirracista e intercultural.
A iniciativa articulou escolas, famílias e a comunidade, incluindo visitas pedagógicas ao Quilombo dos Arturos, patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais. O trabalho fortaleceu o respeito à diversidade religiosa e étnico-racial, valorizou saberes ancestrais e ampliou o protagonismo estudantil, em consonância com a BNCC e as Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08.
Ceará-Mirim (RN): juventude em defesa da história, da cultura e do meio ambiente
Na Praia de Jacumã, em Ceará-Mirim (RN), o projeto “Jacumã, Nossa Palavra-Mundo: Diálogo e Conscientização da Juventude na Defesa da História, Cultura e Ambiente Local”, idealizado pela educadora Larissa França, transformou a realidade local em eixo central do processo educativo. Desenvolvida na Escola Municipal Brasiliano Marques de Araújo, a iniciativa envolveu estudantes do 5º ano em ações inspiradas na Pedagogia Freiriana, promovendo a leitura crítica do território a partir de temas como trabalho, memória, cultura e preservação ambiental.
Por meio de rodas de conversa, diálogo com pescadores e bugueiros, produção de cartazes, vídeos e materiais informativos, além da criação de espaços de escuta da memória comunitária, o projeto articulou reflexão e ação concreta. A culminância ocorreu com a realização de uma Feira Livre da Conscientização, fortalecendo o protagonismo juvenil e a atuação dos estudantes como sujeitos ativos na defesa do patrimônio histórico, cultural e ambiental de Jacumã.
Ao reunir experiências de diferentes regiões do país, o concurso Juventude que Muda a Educação Pública, reafirma o papel da juventude trabalhadora da educação na construção de uma escola pública democrática, inclusiva e socialmente referenciada. As iniciativas vencedores mostram que, quando jovens educadores e educadoras têm espaço, reconhecimento e apoio, a educação pública se fortalece e transforma realidades.
