7 de setembro de 2021 – Independência e democracia, sim. Golpe, jamais!

O céu azul, cenário comum na capital federal, associado a pessoas vestindo camisas verde amarelas pela Esplanada dos Ministérios poderia dar um tom bonito, patriótico e significativo ao Dia 7 de setembro, não fosse a narrativa totalmente deturpada e discrepante entoada por uma minoria barulhenta espalhada pelo Brasil, que ao invés de comemorarem a independência de um estado opressor e explorador, enalteciam a busca por um golpe contra a democracia. Ao longo de todo o dia, o grito que ecoava por vários pontos do país refletia o discurso golpista esbravejado pelo presidente Jair Bolsonaro. A manobra poderia ter colocado o Brasil de volta a um período ditatorial, executando definitivamente a nossa democracia, não fosse o respeito e a força de instituições e de grande parte da população para com a democracia.

Em uma analogia bem distante, mas ao mesmo tempo bastante próxima da nossa realidade, a tentativa frustrada de Bolsonaro obteria eco no ano de 49 antes de Cristo. Voltando no tempo, nesta data o direito romano, no período da República, proibia qualquer general romano de atravessar o Rio Rubicão acompanhado de suas tropas, retornando de campanhas ao norte de Roma. A medida tinha como objetivo impedir que os generais manobrassem grandes contingentes de tropas no núcleo do Império Romano, evitando riscos à estabilidade do poder central.

Quando Júlio César atravessou o Rubicão, em 49 A.C em perseguição a Pompeu, violou a lei e tornou inevitável o conflito armado. Ao praticar este crime, César teria proferido a famosa frase Alea jacta est, que traduzida seria “a sorte está lançada”. Desde então, a frase “atravessar o Rubicão” passou a ser usada para referir-se a qualquer pessoa que tome uma decisão arriscada de maneira irrevogável, sem volta.   

Desde o primeiro dia de seu (des)governo, Jair Bolsonaro tenta justificar suas políticas desastrosas, que trouxeram de volta ao Brasil a fome, a pobreza extrema, a recessão econômica, dentre outros aspectos, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF). De forma desesperada e irresponsável, Bolsonaro convoca manifestações regadas a ódio e desrespeito a instituições que pregam o respeito à democracia, como se isto fosse melhorar a situação brasileira.

Para o diretor do Sinpro, Cláudio Antunes, o governo federal inflamou seus apoiadores com um discurso de ódio e intolerância, fatores que tem prejudicado o Brasil. “Se observarmos o decorrer do governo de Jair Bolsonaro, vemos uma economia em colapso, a gasolina chegando a R$ 7, a saúde pública em estado precário, a segurança da mesma forma, sem falar dos mais de 600 mil mortos pela Covid, óbitos que poderiam ser evitados se o governo tivesse agido a tempo. Ao invés de focar em políticas públicas positivas para os brasileiros, Bolsonaro se apega à tentativa de golpe para justificar sua incompetência, ao mesmo passo que o país e a população se afundam cada vez mais”, ressalta.

 

STF coloca fim à tentativa de golpe

Com o enredo tramado e os atores atuando, o golpe começou a ser desenhado no dia 6 de setembro. Mesmo com o bloqueio feito pela Polícia Militar no Eixo Monumental, para isolar a área central de Brasília, bolsonaristas retiraram as barreiras e abriram a “porteira” para que caminhões invadissem a Esplanada. Com a tropa de choque estrategicamente posicionada e o discurso de ódio na ponta da língua de seus apoiadores, Bolsonaro tentava colocar, enfim, seu projeto em prática, na tentativa de obter sucesso em seu pleito ditatorial.

Não fosse a ação do STF, uma instituição forte e alicerçada no respeito à democracia, Jair Bolsonaro teria atravessado o Rubicão do bom senso, do respeito, da tolerância, e executado a democracia em uma data tão significativa e importante como é o Dia da Independência do Brasil.

A afronta à democracia, orquestrada por Jair Bolsonaro, não tem retorno, mas o crime cometido por ele (crime de responsabilidade), fato que ultrapassa todos os limites, precisa ser responsabilizado. O Brasil já pagou caro pela perda de sua liberdade, de sua democracia, e não permitiremos uma volta à ditadura militar. “É preciso que cada trabalhador, que cada pessoa lute por um país justo, humano, democrático, porque somente assim teremos um futuro melhor para cada um de nós e para as futuras gerações”, afirma Cláudio Antunes.

Viva a democracia e viva um Brasil plural, justo e independente!