Estudantes pressionam e Enem é adiado

Após a primeira derrota no Senado e com medo de uma segunda na Câmara, o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) recuaram e decidiram adiar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) por 30 a 60 dias.  

As provas seriam realizadas em novembro deste ano, agora, a previsão é de que o exame ocorra em dezembro ou janeiro de 2021.

Vale lembrar que, apesar da suspensão, as inscrições seguem abertas e os estudantes devem realiza-la até as 23h59 desta sexta-feira (22).

Em nota oficial, o Inep, responsável pela aplicação da prova afirmou: “Atento às demandas da sociedade e às manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia do coronavírus no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Ministério da Educação (MEC) decidiram pelo adiamento da aplicação dos exames nas versões impressa e digital.

No inicio da semana, uma ampla pressão popular realizada pelo  movimento estudantil e sindical surtiu efeito. Por 75 votos a 1, os parlamentares do Senado aprovaram o Projeto de Lei (PL) 1.277/2020, de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), que suspende a aplicação da prova em casos de calamidade pública. Apenas o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro e envolvido com o escândalo da rachadinha no Rio de Janeiro, votou contrário ao PL.

As entidades estudantis comemoraram a vitória. Nas últimas semanas, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) realizaram  mobilização pelo adiamento do Enem. Um abaixo-assinado pedindo o adiamento da prova reuniu mais de 350 mil assinaturas.

 

 

 

O movimento estudantil argumentou de que com a suspensão das aulas devido ao isolamento social provocado pela COVID-19, muitos alunos ficaram prejudicados. Os estudantes mais pobres, por exemplo, muitas vezes não têm internet para ter acesso ao ensino remoto durante este período de pandemia.

A aluna Júlia Ribeiro, 17, estudante do 3° ano do Ensino Eédio no estado de Goiás compartilha da mesma opinião. Para ela, adiar o Enem neste momento de crise é uma questão de justiça. “Nem todos têm acesso as mesmas condições para estudar sozinho. Os menos favorecidos serão, sem dúvida, mais prejudicados”, afirmou.

Já a diretora de Política Educacional do Sinpro-DF, Berenice D’arc, parabenizou os estudantes pela vitória e relembrou porque manter o cronograma  do ENEM em meio a essa epidemia seria cruel e injusto.  

“O governo se esquece de que a suspensão das aulas tem dificultado, e muito, o acesso de estudantes à educação. Existem jovens que não tem sequer acesso à internet, celular ou computador. Não dá para afirmar com certeza que todos estarão competindo com as mesmas chances. Manter o Enem neste momento significa destruir o sonho de milhões de estudantes de ingressar em uma universidade. Adiar a prova é fundamental para garantir o mínimo de igualdade de oportunidades para todas e todos. Nós, do Sipro, seguiremos em luta junto aos estudantes nesta causa”, explicou a dirigente.

 

 

 

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