Por administrador em 17/nov/2014

Para Frei Betto, participação social na política é ‘organizar a esperança’



Em seu comentário das manhãs das segunda-feiras à Rádio Brasil Atual, o religioso e assessor de movimentos sociais Frei Betto apontou a necessidade de se complementar as políticas públicas de inclusão social com “processos pedagógicos de formação e organização políticas” sobre os avanços trazidos pelos governos progressistas de diversos países da América Latina.

“É preciso aderir a um projeto político alternativo ao capitalismo. É preciso dar sim o benefício, mas dar esperança. Promover o acesso ao consumo, mas também o surgimento de novos protagonistas sociais e políticos, novos atores, gente boa, com ética e combativa, para renovar os quadros da política atual”, analisou.

Para Frei Betto, o modelo calcado no consumo capitalista reforça valores como o individualismo e o conservadorismo: “Não se percebe que, neste sistema consumista, cujas mercadorias estão impregnadas de fetiches, que valorizam o consumidor e não o cidadão, o capitalismo acaba introduzindo nas pessoas supostos valores como a competitividade, em vez da solidariedade, e a mercantilização de todos os aspectos da vida e da natureza.”

É necessário, completou, pensar a política para além dos limites de governo. “A política tem que ser feita nos sindicatos, nos movimentos sociais, nos núcleos de base”, em um processo que ele classifica como “organizar a esperança.”

“A esperança dos excluídos, dos marginalizados, daqueles que tem um salário indigno, para que se transformem em força política e consigam virar o jogo da democracia, tornando-a verdadeiramente democrática, ou seja, que haja democracia não só na política mas sobretudo na economia, com a redução da nossa desigualdade e com uma vida de melhor qualidade e mais justiça para todo o povo brasileiro”, concluiu.

(Da Rede Brasil Atual)

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