Por administrador em 23/abr/2014

Não acabou, tem que acabar, queremos o fim da policia militar



As recentes mobilizações iniciadas em 2013 tem apresentado uma importante agenda de profundas transformações democráticas que o Estado brasileiro ainda precisa realizar. Um tema central e que necessita resposta urgente é a superação do modelo policial construído na ditadura militar e a afirmação de um projeto de segurança pública cidadão com respeito aos direitos humanos, defesa da cidadania e a valorização da vida.

Os métodos repressivos de controle social usados no período da ditadura militar (1964-1985) ainda não desapareceram na democratização e podemos constatar seu legado ao longo dessas últimas 2 décadas no país. Seja nos casos de grande repressão e criminalização do movimento social na década de 90 e na forma despreparada e autoritária das PM’s nas greves dos professores(as) no Estado de São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo. No desaparecimento e assassinatos de milhares de jovens todos os dias nas periferias de nossas cidades pela PM, como no caso Amarildo, e que são justificados pelos autos de resistência. Nos massacres do Carandiru e da chacina da Candelária na década de 90 e nos recentes episódios no presídio de Pedrinhas no Maranhão e da prisão de jovens negros em postes públicos, que mostram também a falência do nosso sistema de segurança pública, em especial do sistema penal e carcerário.

Esse triste legado tem aumentado a desconfiança da população com a polícia. Nesse sentido é importante a luta pela desmilitarização. É preciso mudar a lógica da sua organização e funcionamento. A polícia não pode ser concebida para aniquilar o inimigo. Não pode achar que o cidadão que está andando na rua, manifestando ou mesmo cometendo um crime é inimigo. A polícia precisa atuar de forma a fortalecer a democracia e os direitos civis.

No ano em que descomemoramos os 50 anos do golpe militar no Brasil é preciso reforçar o coro pela desmilitarização da PM como tarefa fundamental do processo de democratização do país. Enquanto as formas de se relacionar com os jovens e a população forem bombas e a repressão truculenta, continuaremos a construir uma sociedade marcada pela violência, intolerância e preconceito.

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