Por administrador em 06/nov/2009

Julgamento de Paulo Freire em Fórum Mundial



A realização do Forum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica nos dias 23 a 27 de Novembro marcará um grande acontecimento que ficará na memória de milhares de pessoas que estarão em Brasília participando deste evento. Será um momento de muita emoção e de reencontro da história com a justiça para aqueles que sacrificaram suas vidas na defesa da democracia e de um país igualitário.

No dia 26/11 as 9h00min, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães a Caravana da Anistia fará, em ato público, o julgamento de Paulo Freire, um dos maiores expoentes da educação brasileira, por ousar na proposição de um método educacional que buscava valorizar o saber próprio de cada sujeito, jovem e adulto. Seu método propõe a contextualização do processo de ensino-aprendizagem no processo de luta de classes, proporcionando a apropriação crítica da linguagem escrita. Por essa razão, foi perseguido pela ditadura militar nos anos 60, passando a viver no exílio até a reabertura política (transição democrática) no inicio dos anos 80.

Como todos/as sabemos o golpe militar de 1964 não só representou uma profunda ruptura com a incipiente experiência democrática nos anos 50/60, como também o aniquilamento de qualquer possibilidade de avanços no campo da democratização do Estado e de conquistas importantes para a classe trabalhadora no âmbito das relações de trabalho e das políticas públicas.

Paulo Freire como tanto outros militantes de esquerda, humanistas vinculados a partidos, correntes políticas ou à ala progressista da Igreja Católica, por acreditar que através da educação pautada em uma visão de mundo justo, fraterno e democrático, na autonomia dos sujeitos e na valorização do pensamento crítico, passou sua vida resistindo ao autoritarismo, a desumanização do homem, a tentativa neo-positivista de imputar à educação uma neutralidade inexistente e mesmo ao estruturalismo que negava o papel estratégico da educação no processo de transformação social.

Para Paulo Freire, toda ação educativa, é acima de tudo uma ação política, porque guarda na sua essência intencionalidades, não explicitadas, de reprodução das relações de dominação. E, para ele, uma educação crítica, é aquela capaz de problematizar tais relações a partir do cotidiano das pessoas, da comunidade. Neste aspecto, reside a dimensão político-pedagógica do ato educativo.

Por pensar e agir a partir dessas premissas, como tantos outros, teve sua liberdade cerceada com a imposição do exílio. Porém, jamais sua voz e suas mensagens deixaram de ser respeitadas e levadas a cabo pelo povo, pelos movimentos sociais, por meio de inúmeras experiências no campo da educação popular. Morto em 1997, Paulo Freire teve seus 25 livros traduzidos em 35 idiomas. Recebeu inúmeras premiações pelo reconhecimento do seu trabalho no combate ao analfabetismo de pessoas jovens e adultas, sem jamais ter o prazer de sentir em vida, justiça à sua liberdade, roubada pela ditadura militar.

Esse reconhecimento público por parte do Estado brasileiro, tardio, porém justo, pela importância de Paulo Freire para a democracia e para o fortalecimento das lutas em defesa de uma educação de qualidade para todos e todas, acontecerá no dia 26/11, durante o Forum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, por iniciativa da Caravana da Anistia. A CUT estará presente em solidariedade aos seus familiares e, em respeito ao legado de Paulo Freire também na trajetória de construção da nossa Política Nacional de Formação – PNF/CUT. Martinho da Conceição – Secretaria Nacional de Formação da CUT

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