Por administrador em 11/set/2012

Ideias para educar com excelência



Dois países com dimensões, culturas e sistemas escolares bastante diferentes vêm conseguindo resultados parecidos, nas últimas décadas, na missão de educar crianças e adolescentes com excelência.

A Coreia do Sul e a Finlândia costumam ocupar posições de destaque nos rankings do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), exame que mede o quanto alunos de mais de seis dezenas de países – incluindo o Brasil – aprendem em leitura, matemática e ciências. O destaque na comparação internacional, na qual os brasileiros não conseguem ficar entre os 50 melhores, é conquistado apesar de contrastes entre os modelos. Ambos, porém, oferecem lições capazes de catapultar o desempenho do Brasil.

Enquanto os coreanos aplicam um sistema baseado na disciplina, com muitas horas diárias de estudo e investimentos pesados do governo, os finlandeses são mais informais e aplicam comparativamente menos dinheiro na estrutura educacional. O pilar que sustenta os dois modelos, porém, é o mesmo: seleção e formação de professores de ponta, com reconhecimento e boas condições de trabalho.

– Na Coreia, a prioridade é a educação básica. Todas as escolas têm dois turnos, e os melhores professores estão lá, não no Ensino Superior – comenta o doutor em Educação e diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) no Estado, José Paulo da Rosa, que visitou o país oriental em 2009.

Na Finlândia, a disputa pelo posto de professor da rede pública é tão grande que apenas 10% dos candidatos conseguem vaga nos cursos de formação. Veja nestas páginas outros segredos que fazem destes países exemplos de excelência educacional e quais lições podem ser usadas no Brasil.

 

EXEMPLOS PARA SEGUIR

Tempo integral e atividades extraclasse

– Uma explicação para o fato de os estudantes coreanos despontarem nos exames internacionais enquanto os brasileiros patinam nas últimas colocações é simples: os orientais estudam mais. Enquanto um aluno brasileiro passa em média quatro horas e meia na escola, no outro lado do mundo esse tempo chega a mais do que o dobro.

– As crianças coreanas estudam perto de 10 horas, e ainda complementam com atividades extraclasse. No nível equivalente ao Fundamental, mais de 80% das crianças contam com algum tipo de estudo complementar.

Família presente até na sala de aula

– Quase todas as escolas têm associações de pais atuantes, que se encontram regularmente e escolhem representantes para cada sala ou série. Esses “delegados” servem de ponte entre os demais pais e a administração da escola. Outros atuam como voluntários em serviços de apoio, como monitores de trânsito em frente à instituição, seguranças nos quarteirões ao redor do colégio, nas cafeterias, bibliotecas ou em passeios. Como estão constantemente nas escolas, acompanham de perto o que acontece na sala de aula, conhecem o currículo e os recursos – podem cobrar dos filhos e das autoridades.

Professor valorizado na Educação Básica

– Um dos fatores mais comuns para o sucesso de um sistema educacional, na Coreia do Sul os professores são muito valorizados. Além de serem bem pagos – no topo da carreira, com a formação mínima exigida, recebem mais de US$ 80 mil (cerca de R$ 160 mil), atrás apenas de Luxemburgo e da Suíça entre os países da OCDE – contam com reconhecimento da sociedade. É muito comum que alguns dos principais educadores do país trabalhem na Educação Básica, e não no Ensino Superior. Em países como o Brasil, os professores com melhor formação estão nas universidades.

Investimento em tecnologia de informação

– Em 2005, o governo coreano começou a investir fortemente em tecnologia de informação e comunicação nas escolas, distribuindo equipamentos como laptops. Também lançou um programa pelo qual os alunos podiam acessar o conteúdo pela internet, a partir de qualquer computador. Agora, há um projeto para digitalizar todo o conteúdo do currículo até 2015 – quando escolas de ensino Fundamental e Médio contarão com livros didáticos em versão informatizada.

Fonte: Jornal de Santa Catarina, artigo de Marcelo Gonzatto.

Imprimir