Por administrador em 07/jan/2014

Estudante do CEF 4 de Brasília vence etapa regional de concurso de redação sobre a Copa



Desde o início de 2013, a estudante Giovana Feitosa Felisberto, 13 anos, anota os livros que lê em um caderninho. São cinco páginas de títulos e autores, registrados com uma letra caprichada. “A lista está desatualizada, preciso colocar, aí, os últimos que eu li”, comenta a estudante do 8º ano do ensino fundamental. A paixão pela leitura — a menina encara livros de mais de mil páginas, como “As Crônicas de Nárnia”, de C. S. Lewis, sem qualquer cerimônia — reflete nas redações que entrega na escola. Os primeiros passos como escritora começam a ser dados agora que ela venceu a etapa regional de um concurso nacional de redação. “Gosto muito de escrever, acho que, quando a pessoa está brava, a melhor coisa a fazer é escrever um texto”, afirma.

Em setembro passado, a professora de português do Centro de Ensino Fundamental 4 de Brasília, que conhece bem a aluna que tem, sugeriu que ela participasse da competição. A seleção foi promovida pela Secretaria de Educação (SEDF), em parceria com a Organização dos Estados Íbero-Americanos (OEI). A ideia era fazer textos com a temática “Copa do Mundo, o mundo em sua escola”, para a ocasião do torneio mundial que acontecerá no país em junho. Giovana decidiu fazer alguns versos, e entregou uma poesia leve, que começa com a descrição de um jogo de futebol e passa por questões como diferenças raciais e de realidades entre países. No último dia 12, ela descobriu, em uma cerimônia com outros nove representantes do DF, que foi a selecionada.

A próxima etapa é nacional. Participam da competição representantes das 12 cidades que vão sediar os jogos da Copa do Mundo. As três melhores redações serão premiadas com uma viagem de uma semana ao Rio de Janeiro, onde os autores vão participar de atividades culturais e esportivas. Quando questionada, Giovana titubeia ao explicar o prêmio. “É uma viagem ao Rio, não sei direito quando. Muitos amigos meus quiseram se inscrever por causa disso, mas eu participei para ter um texto meu no concurso. O que vale é competir, sei que o vencedor terá um texto ótimo”, garante.

Fã de livros de terror, de histórias românticas e das obras de Pedro Bandeira, a garota trata com naturalidade a mudança de temas realizada de forma tão suave em alguns versos. “Acho que um texto tem que abordar vários assuntos. Tem muito texto por aí que você começa a ler e ele fala tanto da mesma coisa que fica chato”, critica. Como toda adolescente, ela adora grandes romances com os quais possa se identificar, mas também busca livros que deem a ela senso crítico. Depois de ler “Infância Roubada”, de Telma Guimarães e Júlio Emílio Braz, Giovana fez um texto sobre a temática da obra: a exploração do trabalho infantil.

Giovana mal esperava vencer a competição no DF, e acredita que ficar entre as três melhores redações deve ser um desafio e tanto. “A etapa nacional é diferente, com textos de escolas fortes do Rio de Janeiro e de São Paulo. Se eu ler os outros textos, acho que até daria para saber. Mas estou satisfeita com o meu resultado, porque consegui abordar temas como diferenças raciais e de realidades como se fosse em um jogo de futebol”, orgulha-se a menina. Para a mãe, a pedagoga Elisandra Feitosa, ver a filha se saindo tão bem na habilidade da escrita é uma grande vitória. “Sempre peguei no pé, porque eu não tive muitas oportunidades, estudei depois de ter meus filhos. Aqui em casa, elas até deixam as coisas meio bagunçadas, mas estudo eu não perdoo, tem que estudar mesmo”, afirma.

Dos brindes que ganhou na premiação – entre eles uma bola oficial dos jogos da Copa e um mascote em miniatura da competição -, o que mais a interessou foram os três livros que levou para casa. Giovana, que não dispensa um bom livro, participa de rodadas de leitura na escola, sempre procura concursos de redação e quer ser nutricionista. Mas faz uma ressalva em relação à ocupação do futuro: “ainda quero escrever muitos livros”.

(Do Correio Braziliense)

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