Por administrador em 01/ago/2014

Escolas devem ajudar na integração de alunos novos no meio do ano



O segundo semestre mal começou e já está chovendo mensagens de papais e de mamães cujos filhos mudaram de escola agora no meio do ano. Todos contam a mesma história: o filho não está conseguindo se adaptar.

Os principais problemas são relatados por aqueles que vão para uma escola bem diferente da anterior: de privada para pública, de escola grande para pequena, de modelo construtivista para uma pedagogia mais rígida. Por aí vai.

Tenho um caso na minha família. Meu sobrinho de 14 anos migrou de São Paulo para uma cidade do sul do país com a família e, claro, teve de mudar de escola. Está estranhando tudo e conta que passa os intervalos das aulas sozinho –o que parece ser o mais traumático.

Para um adulto, esse tipo de problema parece pequeno. Aliás, nem parece ser um problema. “Logo passa, dê tempo ao tempo.” Mas não é bem assim.

A escola é a principal atividade da maioria dos estudantes. É uma rotina diária, que pode durar metade do dia ou o dia inteiro. Agora imagine como é ficar sozinho, angustiado e sofrendo durante a sua atividade principal e diária?

Pois é. Isso pode atrapalhar bastante o rendimento escolar dos novatos e deixar traumas por bastante tempo. Justamente por isso, a escola nova tem a obrigação de ajudar na integração dos alunos novos.

COMISSÃO

Conversei com alguns professores, especialistas e alunos para tentar descobrir o que pode ser feito de bacana na integração dos novos aluninhos. Cheguei a um modelo que parece bem legal: a própria escola pode determinar quem serão os alunos responsáveis por receber e integrar quem está chegando.

Isso, aliás, já aconteceu comigo em uma das mudanças de escola mais difíceis que tive: quando fui estudar, sozinha, aos 16 anos, em uma cidadezinha de outro país.

A escola em que estava matriculada pediu que um aluno, também estrangeiro, ficasse responsável pela minha integração. Antes mesmo de começarem as aulas, ele foi se apresentar na minha casa e me ensinou o caminho até a escola.

No início da aulas, esse aluno me recebeu na porta da escola, mostrou onde era a minha sala e me apresentou para um grupo animado de estudantes, que me chamou na hora do intervalo. Pronto: eu já estava integrada.

Essa iniciativa é legal porque passa para os próprios alunos a função da integração. Acaba virando uma espécie de mentoria.

Por que não fazer a mesma coisa por aqui?

A maioria das escolas entende que o processo de integração deve se dar sozinho, sem intervenção, “naturalmente”. Algumas escolas até ajudam com aulas extras de conteúdo para os que chegam defasados. Mas poucas se preocupam com a socialização, como se o aprendizado envolvesse apenas processos racionais cognitivos.

Quanto mais a escola for acolhedora, mais o estudante irá se envolver com os estudos. E, para quem está chegando, esse acolhimento tem de ser especial.

Como são recebidos os alunos novos na sua escola? Conte para o blog!

(Da Folha de S. Paulo)

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