Por administrador em 19/out/2009

Educação integral e redução de alunos por turma



Educação integral e redução do número de alunos por turma: um artigo para ser escrito em conjunto. Em tempos de neoliberalismo e de globalização, o emprego de expressões que parecem produzir consensos podem conter armadilhas que vão desde a apropriação do discurso da classe trabalhadora até a extração total do significado de bandeiras históricas das diferentes categorias.

No caso da educação não é diferente. Governos conservadores e privatistas empregam termos como: educação integral, educação inclusiva, participação, gestão compartilhada que, para mim, como pedagogo de formação que sou, parecem pleonasmo. Vejamos: Não é necessário retroceder às origens da educação, no mundo greco-romano, para vermos que em toda sociedade historicamente determinada, em qualquer ponto globo, os diferentes grupamentos humanos sempre se propuseram como objetivo formar integralmente os seus membros e, tal formação, orientava-se pela busca da integração plena do sujeito em uma dada estrutura social.

Sabemos que cidadãos, escravos, mulheres assim como guerreiros e velhos não gozavam do mesmo status social nas diferentes formações sociais do mundo antigo. Tal fato, entretanto, não significa que não se integrassem àquelas sociedades, apenas nos informa sobre a existência de diferentes papeis sociais. A história nos ensina que, de acordo com seu lócus social, cada individuo recebia um tipo particular de educação. Do nosso ponto de vista, tal situação não difere muito da que encontramos nos dias atuais.

As sociedades contemporâneas, de modelo capitalista, orientadas por modelos políticos de tipo democrático e de economia fordista não conseguiram garantir um de seus pressupostos básicos – produção em massa e consumo em massa, o ideário relacionado à possibilidade de um crescimento ilimitado e um consumo também ilimitado têm seus limites postos à prova de forma cabal nas últimas décadas do século XX.

Dentro deste quadro de crise material, os ideólogos do sistema partem para a criação de novos conceitos ou mesmo para a reestruturação de conceitos já existentes. Assim, a teoria do capital humano tenta explicar a riqueza das nações, e dos indivíduos por um diferencial de investimentos em educação. Nesta abordagem o conflito social é abolido, desenvolve-se um discurso no qual a educação é apontada como um fator de transformação social e de desenvolvimento individual. Ideologicamente, conceitos como: formação para o trabalho vão sendo substituídos por conceitos como formação para a empregabilidade; eliminação das garantias trabalhistas passa, sutilmente a ser apresentado como flexibilização das relações de trabalho; a eliminação de culturas locais é apresentada como globalização e quem pode ser contra algo global, integral. Resta-nos a pergunta o que significa realmente tais termos? Quem ousa questionar uma educação integral? Quem questionaria uma educação inclusiva?

Tais questionamentos cabem a nós profissionais da educação, mesmo que nos pareça difícil encontrar as respostas para os mesmos, podemos buscar pistas para uma melhor compreensão do que ocorre em nossas escolas. Assim, quando um governo neoliberal como o Governo Arruda fala em educação integral devemos nos perguntar: Como ela será implementada? Quais e quantos serão os recursos alocados nesta nova modalidade? Serão contratados novos professores? Serão construídas novas escolas? As escolas existentes irão ser reformadas?

Para o Ministério da Educação, o desenvolvimento de uma educação integral “exige mais do que compromissos: impõe também e principalmente projeto pedagógico, formação de seus agentes, infraestrutura e meios para sua implantação. Ela será o resultado dessas condições de partida e daquilo que for criado e construído em cada escola, em cada rede de ensino, com a participação dos educadores, educandos e das comunidades que podem e devem contribuir para ampliar os tempos e os espaços de formação de nossas crianças, adolescentes e jovens” (grifamos)

Dentro deste espírito de construção coletiva, propomos o debate inicialmente em sua escola e posteriormente em uma audiência pública a ser realizada no mês de novembro na Câmara Distrital, informamos que já demos início ao debate com uma audiência realizada na Câmara Distrital realizada em 4 de setembro, contamos com sua participação para levarmos mais esta empreitada a bom êxito.

Contribuição inicial de: Olimpio Sabino Lourenço, professor do CEF 15 do Gama contato: oslourenco@yahoo.com.br

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