Um portal pela democratização da educação no Distrito Federal


Com um longo caminho percorrido na área da Educação, a professora emérita e atualmente pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Eva Waisros Pereira criou um portal que traz como objetivo fortalecer o resgate, a pesquisa e a difusão da memória da educação pública do Distrito Federal. Segundo Eva, além de democratizar a informação e mostrar toda a história educacional de Brasília, o portal se coloca como um espaço cultural e educativo que revela histórias do pioneirismo e da utopia presentes na construção do sistema de ensino de Brasília e da proposta revolucionária de autoria do educador Anísio Teixeira.
Confira a seguir uma entrevista com Eva Wairos, professora que durante décadas lutou pela preservação da memória da educação no DF, defendeu os compromissos estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e lutou pela implantação da escola pública e integral, conforme o ideal de Anísio Teixeira.
 
 
Como surgiu a ideia do portal?
Surgiu da necessidade de dar à comunidade escolar, principalmente aos professores, informações sobre a educação do Distrito Federal e sobre a história educacional desde os primórdios. É um projeto de memória da educação na capital federal.
 
Qual a pretensão deste portal?
É realmente difundir a memória da educação do DF. Há 20 anos estamos com este projeto, com a pretensão de criar um museu na Candangolândia. Até o momento não conseguimos concretizar este projeto por falta de verba.
 
Além disto, poderíamos dizer que o objetivo é democratizar o conhecimento?
Sim, claro. A iniciativa visa assegurar a democratização de acesso ao conhecimento já constituído sobre essa memória educativa, permitindo maior interatividade com professores, pesquisadores, estudantes e diversos públicos usuários do Museu.
 
O visitante que acessar o portal terá acesso a quais informações?
Uma infinidade de informações. Fotografias, documentos, filmes, vídeos, livros, além de interagir com outros objetos educacionais de época, com ênfase nas ações educativas desenvolvidas por meio de cursos, oficinas, debates, pesquisas e atividades lúdicas.
 
Quais as grandes dificuldades?
Principalmente de verba para colocar este sonho em prática. Mas este portal é uma ferramenta muito importante para difundirmos e mostrarmos fatos tão ricos e que poderiam se perder com o tempo.
 
De que forma este portal poderia trazer pontos positivos para a educação atualmente?
Poderia trazer as experiências pedagógicas, os depoimentos de professores, a história da sua própria escola. Isto vai viabilizar uma forma mais ampla da pesquisa, onde a interatividade vai ficar presente de uma forma mais visível e mais ampla.
 
Qual o público alvo deste portal?
Não somente os professores, mas todos aqueles que valorizam a educação e sabem a importância que ela tem para o futuro de uma sociedade.
 
A pretensão é que seja uma referência para a categoria?
Que seja um ponto de reflexão para a atualidade. Que possamos aprimorar a prática e mostrar tudo que tivemos na área educacional ao longo de todas estas décadas.
 
Como vai funcionar o Museu?
Nestes 20 anos de pesquisa constituímos um acervo muito grande. Como parte da pesquisa, desenvolvemos um programa de história oral entrevistando 300 professores e estudantes da rede pública. Todo este material é muito precioso e pretendemos que, no Museu, hajam exposições mostrando todos estes relatos, além de exposições de escolas e outros pontos educacionais.
 
A ideia é que seja midiática?
Sim, claro. Vai atender vários públicos, se adequando às novas tecnologias e à modernidade. É uma coisa inédita e terá uma grande repercussão.
 
Quem está envolvido neste projeto?
Temos uma equipe de pesquisadores da UnB e do sistema público (público de trabalho criado na Secretaria de Educação), que está responsável por tudo isto.
 
Onde surgiu a ideia de criar este museu?
Da necessidade de mostrar tudo isto, de criar uma interação dos agentes da educação e ampliar estas memórias, além da troca de experiências com outros educadores e com a comunidade escolar. É o passado e presente ao mesmo tempo, pensando no futuro.

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