Sinpro participa da posse da nova diretoria da UBES e destaca força da juventude organizada

A posse da nova diretoria da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) para a gestão 2026-2028, realizada na manhã dessa quinta-feira (28/5), no Plenário 1 da Câmara dos Deputados, em Brasília, marcou o início de um novo ciclo de organização das lutas da juventude brasileira em defesa da educação pública, dos direitos estudantis e de um futuro digno para milhões de estudantes em todo o país. O evento reuniu representantes do movimento estudantil, entidades sindicais da educação, parlamentares e lideranças sociais, entre elas a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e o Sinpro-DF.

O clima de renovação marcou a cerimônia, que simbolizou a continuidade da trajetória histórica do movimento estudantil secundarista e o compromisso da nova gestão com o fortalecimento da organização da juventude nas escolas brasileiras. Nas redes sociais, a UBES afirmou que a nova diretoria assume a missão de fortalecer o movimento estudantil nas escolas, mobilizar a juventude e seguir construindo uma entidade cada vez mais presente nas lutas do povo brasileiro. “A história continua sendo escrita pela juventude organizada”, destacou a entidade.

A nova gestão foi eleita durante o 46º Congresso da UBES, realizado em abril, em São Bernardo do Campo (SP), num encontro que reuniu mais de 5 mil estudantes de diferentes regiões do país para debater os principais desafios enfrentados pela educação pública brasileira. Diretor de Relações Institucionais da UBES eleito para a nova gestão, Paulo Henrique, técnico em informática pelo Instituto Federal de Brasília (IFB), explicou que o congresso consolidou resoluções políticas voltadas ao enfrentamento dos ataques à educação pública e ao fortalecimento da participação estudantil nas escolas.

Ele destacou que os debates abordaram vários temas, como escolas cívico-militares, adaptação climática, realidade das meninas nas escolas, além dos impactos dos cortes de investimentos na educação e na saúde. O dirigente ressaltou ainda que, após a posse, os(as) estudantes realizaram um ato público na Esplanada dos Ministérios para entregar ao Ministério da Educação (MEC) as resoluções aprovadas no congresso e cobrar políticas públicas voltadas à juventude.

“A gente identificou a necessidade de combater, principalmente, a extrema direita, que tem se colocado como principal inimiga da educação, além de enfrentar o avanço das escolas cívico-militares e das privatizações. Também defendemos mais escolas de tempo integral e medidas eficientes de combate aos assédios nas escolas, especialmente contra as meninas”, afirmou Paulo Henrique.

A cerimônia contou com a presença da presidenta da UBES, Roberta Pontes, da vice-presidenta Yasmin Souza e do secretário-geral Álvaro Dantas, além de representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), da CNTE e de entidades sindicais da educação de diferentes estados. O coordenador geral da Juventude do Ministério da Educação e ex-presidente da UBES, Yann Evanovick, esteve presente. “Essa é a maior mensagem que nós possamos dar: organizem a boa rebeldia, que é a rebeldia de transformar aquilo que nós sonhamos para um Brasil melhor em verdade”, disse Yann. Representante do Sinpro no evento, o diretor da Secretaria de Políticas Sociais, Caio Romão, destacou a importância da organização estudantil diante dos desafios enfrentados pela educação pública e pela juventude brasileira nos tempos atuais.

Sinpro destaca legado histórico da UBES e a força do movimento estudantil

O diretor do Sinpro Caio Romão ressalta que a relação entre o movimento estudantil e os(as) trabalhadores(as) da educação sempre foi marcada pela unidade em defesa da escola pública e dos direitos sociais. Ele recorda que a UBES carrega uma trajetória histórica de participação nas grandes lutas do país e segue desempenhando papel fundamental diante dos desafios atuais enfrentados pela educação brasileira, como a luta pela garantia da alimentação escolar e dos bandejões nos Institutos Federais, dentre eles o IFB.

“A UBES é uma entidade de 78 anos de história, sempre ligada às lutas da sociedade e à defesa de uma educação de qualidade. Assumir uma entidade como essa, num momento em que a educação é tão atacada, é uma responsabilidade muito grande”, afirma. O dirigente observa que a entidade esteve presente em momentos históricos do país, como as campanhas pelas “Diretas Já” e “O Petróleo é Nosso”, e atualmente participa das mobilizações pelo fim da escala 6×1. “Os estudantes de hoje são a classe trabalhadora de amanhã. Muitos já estão no mundo do trabalho e sentem diretamente os impactos dessa realidade”.

Ele destaca a parceria entre o Sinpro, a UBES e a União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal (UESDF) na luta contra a militarização das escolas. “Temos feito uma batalha muito grande contra a militarização, denunciando os abusos e a violência nesses espaços e defendendo uma educação democrática e acolhedora”, disse. No entendimento de Romão, a participação estudantil fortalece a democracia e contribui para a formação de futuras lideranças sociais e políticas. “A UBES é um espaço de formação política e cidadã. É onde muitos estudantes têm o primeiro contato com a democracia representativa, aprendem a se organizar coletivamente e a lutar pelos seus direitos”.

Romão também celebrou o fato de a nova gestão da entidade ser liderada por mulheres. “É muito significativo ver a UBES ser conduzida por uma presidenta e uma vice-presidenta, especialmente por termos uma mulher negra ocupando esse espaço de liderança. Isso representa avanço, representatividade e aponta para o futuro que queremos construir”, concluiu.

Com informações da CNTE e da UBES