Sinpro se soma à luta por direitos e fortalece Marcha da Classe Trabalhadora

A categoria magistério do DF levou a pauta da educação pública à Marcha da Classe Trabalhadora, nesta quarta-feira (15/4). Na mobilização, professores(as) e orientadores(as) educacionais reforçaram que a luta por direitos está diretamente ligada à valorização de quem está no chão das escolas todos os dias.

A mobilização nacional trouxe à capital federal — centro das decisões políticas do país — os anseios mais urgentes da classe trabalhadora brasileira: mais dignidade e qualidade de vida. Em pauta, temas relacionados à soberania e à justiça social, além de reivindicações ligadas ao trabalho, à renda e à garantia de direitos para toda a população.

O documento, com mais de 60 propostas, será entregue a representantes dos Três Poderes da República ainda nesta quarta (15/4).

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A diretora do Sinpro Márcia Gilda destacou que o magistério público do Distrito Federal enfrenta desafios históricos, como a superlotação das salas de aula, o não cumprimento do direito à educação inclusiva, a necessidade de uma estratégia de matrícula mais justa, a valorização salarial da categoria e a recomposição do quadro efetivo.

Para ela, esses problemas comprometem a qualidade do ensino oferecido aos(às) estudantes da rede pública e estão ligados a um projeto de governo que prioriza interesses empresariais enquanto ignora demandas sociais. Segundo a diretora, essa mesma lógica também se reproduz em âmbito federal, no Congresso Nacional.

“Temos um governo federal que tem condições de realizar um grande trabalho pela população brasileira, mas muitas decisões passam pelo Congresso Nacional, que atua contra os interesses do povo. Ali, predomina uma lógica semelhante à do governo do DF: a valorização do empresariado em detrimento da classe trabalhadora. Por isso, o magistério público do DF se soma a essa grande mobilização”, afirmou.

 

Magistério Público do DF levou a luta da educação para a Marcha da Classe Trabalhadora 2026

 

Fortalecimento dos direitos e da negociação coletiva

Entre as pautas defendidas pela categoria está a regulamentação da Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho, que garante o direito à negociação coletiva e à data-base no setor público.

“Isso é muito importante para nossa categoria, porque muitas vezes precisamos recorrer à greve para iniciar uma negociação. Com esse direito assegurado, avançamos no nosso processo de organização e de luta, sendo reconhecidos de forma legítima em um espaço de diálogo com o governo e de conquista de direitos”, afirmou o diretor do Sinpro Herbert Anjos.

Basta de precarização

A Marcha da Classe Trabalhadora 2026 também trouxe a Brasília a luta contra a precarização das relações de trabalho, impulsionada pelo avanço de formas de contratação mais flexíveis e por projetos que reduzem direitos, como a reforma trabalhista aprovada no governo Temer em 2017.

O diretor do Sinpro Caio Romão destacou que, na educação pública do DF, por exemplo, a maioria dos(as) professores(as) jovens está sob regime de contratação temporária, o que resulta em maior fragilidade de direitos e instabilidade profissional.

“A luta pelo fortalecimento dos serviços públicos e pela realização de concursos públicos também é uma luta da juventude da educação. É a forma mais efetiva de enfrentar a precarização, que hoje se expressa, principalmente, na ampliação das contratações temporárias”, afirmou.

O mesmo entendimento é compartilhado pelo diretor do Sinpro Samuel Fernandes. Para ele, a precarização no DF já se tornou um problema estrutural, que exige mudanças na forma de contratação e no planejamento da rede pública de ensino.

“Aqui no DF, por exemplo, a gente enfrenta um número excessivo de professores em contratação temporária. É preciso reduzir essa dependência e garantir mais profissionais efetivos nas escolas. Essa é uma luta coletiva, que impacta toda a sociedade”, afirmou.

A diretora do Sinpro Joana Darc destacou a importância da mobilização. “A unidade da classe trabalhadora é fundamental para avançarmos na luta pela revogação da reforma trabalhista e da reforma da Previdência. Só assim poderemos garantir direitos integrais, e não subordinados aos interesses do capital e das elites econômicas”, afirmou.

Mulheres em destaque

A luta das mulheres esteve em destaque na Marcha deste ano. Um dos eixos centrais da mobilização foi o fim da escala 6×1, que hoje compromete o tempo de boa parte dos(as) brasileiros(as), especialmente o segmento. Para a diretora do Sinpro Berenice Darc é fundamental olhar a luta da classe trabalhadora pelo recorte de gênero.

“A nossa categoria já tem uma escala 5×2, mas as mulheres trabalhadoras, de modo geral, não têm. Então, trazer essa pauta para uma mobilização nacional tão grande é ampliar o olhar sobre a realidade da classe trabalhadora, porque a gente sai do nosso próprio universo e coloca em evidência mulheres que não têm acesso a esse direito básico de organização do tempo”, afirmou.

Outra pauta que dialoga diretamente com essa realidade é a luta pelo fim do feminicídio. A diretora do Sinpro Leilane Costa lembrou que o magistério público do DF é composto majoritariamente por mulheres — cerca de 82%. Nesse sentido, ela destacou que a violência de gênero também atravessa o cotidiano das escolas e impacta diretamente a vida das trabalhadoras da educação.

“A gente não pode tratar a violência contra as mulheres como um problema isolado. Ela está presente na sociedade e, consequentemente, chega às escolas, afetando professoras, estudantes e toda a comunidade escolar. Enfrentar o feminicídio também é defender condições dignas de vida e de trabalho para as mulheres”, disse a diretora.

 

Magistério público do DF fortalece Marcha da Classe Trabalhadora 2026. Foto: Joelma Bonfim

 

Mobilização Nacional

A Marcha da Classe Trabalhadora 2026 foi convocada pela CUT e demais centrais sindicais e reuniu milhares de trabalhadores. Logo nas primeiras horas da manhã, ônibus vindos de várias regiões do Brasil começaram a chegar ao estacionamento do Teatro Nacional.

Traziam homens, mulheres, jovens e crianças, todos com o mesmo objetivo: dar visibilidade às reivindicações de quem constrói o país.  De lá, o grupo marchou rumo ao Congresso Nacional.

“Não existe desenvolvimento sem valorização de quem trabalha, sem investimento em políticas públicas e sem garantia de direitos. A educação está no centro desse debate, porque é ela que forma consciência, que amplia oportunidades e que ajuda a romper com as desigualdades históricas do nosso país”, disse a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)  Rosilene Côrrea.

Como desdobramento das pautas defendidas na mobilização, o governo federal já começou a dar respostas a uma das principais reivindicações da classe trabalhadora. Na terça-feira (14/4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê o fim da escala 6×1.

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores no DF, Rodrigo Rodrigues, a iniciativa representa um avanço importante, mas exige mobilização para garantir sua aprovação.

“Esse foi um dia histórico. Essa pauta unificada, que será entregue aos Três Poderes, busca conquistar mais direitos para a classe trabalhadora, tendo como principal reivindicação a redução da jornada de trabalho. O presidente Lula já encaminhou o projeto de lei, e agora essa marcha precisa se transformar em pressão sobre os parlamentares para que ele seja aprovado. Precisamos acompanhar quem vai votar a favor da escala 6×1 para que não seja reeleito”, afirmou.

 

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