Seminário da FETEMS debate políticas públicas de educação no campo

A defesa dos territórios e do ensino público que valorize a cultura do campo foi tema central do Seminário da Educação do Campo, realizado em 5 de junho, em Corumbá. O evento foi organizado pela Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS) em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação (SIMTED) de Corumbá e Ladário e demais entidades ligadas à pauta da Educação do Campo.
Sob o tema “Por uma educação do e no campo: plantar valorização e colher frutos de qualidade”, o encontro reuniu profissionais da educação, pesquisadores, povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas, além de representantes de movimentos sociais e sindicais de estados como Piauí, Maranhão, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Mato Grosso do Sul. A programação teve como objetivo principal articular e fortalecer as pautas voltadas ao ensino público específico para as populações agrícolas e tradicionais, além de debater a formação de profissionais especializados na área.
“A educação do campo tem também essa função de trabalhar não só o ensinar a ler, escrever e produzir, mas também valorizar, disseminar essa ideia de respeito a tudo que envolve o campo: alimentação saudável, a água, a natureza, as pessoas que lá estão, a vida como um todo”, disse a dirigente do Departamento da Educação do Campo da FETEMS, Olinda Conceição da Silva.
Troca de experiências
O seminário contou com painéis e mesas de socialização que abordaram o panorama da Educação do Campo no cenário nacional e regional. Durante as atividades, os participantes debateram a aplicação das diretrizes garantidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a inserção dessas demandas nos Planos Nacional, Estadual e Municipais de Educação para os próximos dez anos.
As mesas de debate contaram com a participação de lideranças sindicais e autoridades políticas, como a presidenta do SIMTED de Corumbá, Regina Coelho Nogueira de Melo; a vice-regional da FETEMS, Marinalva Aranda da Silva; os deputados estaduais Pedro Kemp e Gleice Jane; além de representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e do Ministério da Pesca.
O intercâmbio de experiências locais incluiu a apresentação de práticas pedagógicas da Escola Família Agrícola de Rio Brilhante (EFAR) e relatos de delegações de outros estados sobre as condições de trabalho e os desafios enfrentados pelas comunidades camponesas em seus territórios.
Mobilização pelo campo
No dia seguinte ao evento, sábado (6), os participantes do seminário participaram da II Romaria Nacional do Cerrado e I Romaria do Pantanal, que reuniu cerca de 700 pessoas em defesa da vida, do Cerrado, do Pantanal, da agricultura familiar e dos povos do campo.
Com a presença de Dom Pedro Cesário Palma, bispo de Jardim, Dom João Batista de Oliveira, bispo de Corumbá, e Dom Otair Nicoletti, bispo de Coxim, a mobilização repudiou os impactos ambientais provocados pela monocultura e pela construção de hidrovias no período de seca no Pantanal.
As deliberações resultantes dos dois dias de atividade foram compiladas na Carta do Seminário Educação do Campo/ I Romaria do Pantanal e II Romaria do Cerrado, documento oficial que será encaminhado aos sindicatos e movimentos parceiros para orientar as próximas ações institucionais da categoria.
Fonte: CNTE
