Reabertura do comércio e volta às aulas coloca a vida da população em risco

Cedendo à pressão dos empresários e de Bolsonaro, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), tem dado sinais claros de que pretende antecipar a volta às aulas e reabrir os comércios da capital federal. A decisão equivocada, que vai contra as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), coloca em risco a vida de toda a população brasiliense, já que oportuniza a propagação em massa do novo cornavírus, o COVID-19.

Após se reunir com Bolsonaro, Ibaneis deu 10 dias para o secretário de Educação, João Pedro Ferraz dos Passos, elaborar e apresentar plano para efetivar a reabertura das escolas. A ideia inicial era que as escolas militarizadas votassem a funcionar na próxima segunda-feira (27). Entretanto, devido à pressão do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro) e dos pais dos estudantes, Ibaneis recuou. Até agora o que vale é o decreto do governador que indica a suspensão das aulas até o dia 31 de maio.

Já em relação ao comércio, pouco a pouco, o governador tem afrouxado as regras. Bancos privados e públicos, casas lotéricas, lojas de conveniências, móveis e eletroeletrônicos já estão em pleno funcionamento. Na tarde desta quarta-feira (22), Ibaneis liberou também o funcionamento dos escritórios de advocacia, contabilidade, engenharia, arquitetura e imobiliárias. E, de acordo com o decreto publicado em 1º de abril, os demais segmentos do comércio devem reabrir em 3 de maio.

A medida é contestada pela CUT e sindicatos filiados, que veem a ação como um retrocesso na política de isolamento social ­─ orientação da OMS e profissionais da saúde que tem sido adotada em diversos países.

“Reabrir comércio e reiniciar o ano letivo não é um problema apenas dos professores, alunos ou dos trabalhadores do ramo comerciário. É algo muito maior e que envolve toda a população de Brasília e que pode acarretar riscos danosos ao povo, pois possibilita a propagação do coronavírus em grande escala”, avaliou o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs), Julimar Roberto, “é extremamente preocupante a abertura dos estabelecimentos comerciais em um momento em que a curva dos casos está aumentando”.

“A abertura dos comércios resultará em aglomeração de pessoas, o que não é recomendado pela OMS. Abrir estabelecimentos nesse momento não é a solução. Temos que pensar na vida das pessoas. País nenhum do mundo está discutindo afrouxamento do isolamento quando se há aumento dos números de casos, como está acontecendo aqui no Brasil. Somos contrários à abertura, pois entendemos que não é o momento certo para isso”, disse.

Além disso, o sindicalista destacou que os trabalhadores devem ter seus empregos protegidos e sem redução salarial. Para isso, destaca Roberto, é fundamental que haja a participação dos sindicatos nas negociações. “Prezamos que não haja redução de salários dos trabalhadores e que haja a participação dos sindicatos para resguardar isso. Mesmo com a decisão do STF, entendemos que a ausência dos sindicatos nas negociações é inconstitucional”

O Sinpro também se posicionou e, em nota, classificou a medida como “dolosa à população”. “Que insanidade é essa de levar milhares de pessoas a se contaminarem com um vírus mortal, que não tem cura e nem tratamento, numa pretensão que reflete um alinhamento descabido com o governo de um presidente sádico e descompromissado com os direitos humanos?”, diz trecho do documento.

O Sinpro encerrou afirmando que “é responsabilidade de todos os brasilienses combater o rumo genocida que o GDF poderá traçar para a cidade nos próximos dias. “Conclamamos a sociedade a impedir que dezenas de milhares de pessoas sejam atiradas à própria sorte, arriscando-se a contrair uma doença sem cura, mortal e altamente contagiosa”, finalizou.

Fonte: CUT

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