Valdério Costa lança livro de contos na III Bienal Brasil do Livro neste sábado (22)

foto-8“Blocos, eixos, quadras/senhores, esta cidade/é uma aula de geometria”. Essa é uma estrofe do poema “Canta a tua quadra” de Nicolas Behr. E é um exemplo do estilo literário que marcou uma geração de brasilienses. O estilo diferente e despojado, mimeografado e marginal, foi um jeito de fazer cultura que permitiu à capital federal exportar literatura, poesia, cinema e, sobretudo, música para o resto do país, e até mesmo para fora do Brasil.
A denominada geração mimeógrafo com sua poesia marginal marcou e influenciou o imaginário coletivo da juventude do Distrito Federal entre as décadas de 1970 e 1990. Só quem viveu no DF naquela época é capaz de identificar os sonhos, o estilo de vida, a gíria, o comportamento, o jeito de viver de uma época que, agora, estão impressos para sempre no livro “Os Brasilienses”, de Valdério Costa , professor de artes da rede pública de ensino.
A obra será apresentada pelo próprio autor, neste sábado (22), durante o dia todo, no estande da Editora Imeph, na III Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que começou nesta sexta-feira (21) e vai até 30 de outubro, no Estádio Mané Garrincha. Ele homenageia essa geração e associa a produção cultural e artística a histórias cotidianas que ele viveu nesse período.
Os contos relatam fatos simples, do dia a dia, de uma juventude que “chegou um dia a acreditar/Que tudo era pra sempre/Sem saber/Que o pra sempre, sempre acaba”. Esses versos, da música “Por enquanto”, do Legião Urbana, consagrados na voz de Renato Russo e Cássia Eller, abrem uma das crônicas intitulada “Por enquanto”. Aliás, a capa do livro marrom, com o desenho feito pelo próprio Valdério, traz a imagem de uma fita cassete e a tipologia do título faz uma referência ao disco Dois, do Legião Urbana.
Outra crônica remete à produção musical de uma das mais famosas bandas do Distrito Federal daquela época, a Mel da Terra. Ela inspirou Valdério a produzir um conto sobre uma ex-aluna que havia sido prostituta. Ele abre o livro com o texto intitulado “Like a Rolling Stone”. A música de Bob Dylan, de 1965, marcou várias gerações. É tanto que, coincidentemente, o cantor norte-americano ganhou o Oscar de Literatura neste mês.  “Os Brasilienses” é um livro que conecta o dia a dia de uma geração a sua musicalidade. O autor mistura a história contida nas letras das músicas com aquilo tudo o que viu, viveu e ouviu nas três últimas décadas do século XX.
Além da apresentação na III Bienal, “Os Brasilienses” será lançado no dia 28 de outubro, a partir das 20h, com direito a noite de autógrafos, no restaurante Xique-Xique, na 708 Norte.  Se você desfrutou do Concerto Cabeças e conviveu com a produção cultural de brasilienses, como a banda Mel da Terra, Renato Matos, Blênio Bianchetti, Wladimir Carvalho, Nicolas Behr, entre outros, certamente viveu esses anos dourados da capital do país.
Apesar das limitações à liberdade de expressão e de pensamento impostas pela ditadura militar, foi uma época marcada por uma poderosa produção cultural. Vale a pena ir lá, conferir e reviver.
Filho de músico e maestro, Valdério Costa é um potiguar-brasiliense e artista-professor com grande experiência na produção de xilogravura associada à literatura de cordel. Sua arte é reconhecida por colecionadores nacionais e internacionais e está exposta em alguns países e cidades do mundo, como França, Nova Iorque, São Paulo, Cidade do México.
Crédito da foto: Daniel fama

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