Presidente da CUT vai à Bolívia para encontro com Luis Arce e Evo Morales

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O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, e o secretário de Relações Internacionais da Central, Antonio Lisboa, embarcam nesta quarta-feira (17) para a Bolívia. Eles vão se reunir com o presidente Luis Arce, em La Paz, e com o ex-presidente Evo Morales, em Cochabamba. Os dirigentes também participarão de atividade da Central Obrera Boliviana (COB), a maior central sindical daquele país, quando se reunirão com o secretário-executivo da entidade, Juan Carlos Huarachi.

O objetivo do encontro com Arce, segundo Sérgio Nobre, é “estreitar relações e trocar experiências sobre relação e regulação do trabalho”, além de empenhar apoio aos trabalhadores e trabalhadoras bolivianos que moram no Brasil – somente na cidade de São Paulo, residem quase 60 mil bolivianos, conforme dados do setor de migração da Polícia Federal, a maioria exerce trabalho informal e precário. São mais de 200 mil bolivianos em todo o Brasil.

“Também vamos convidar Evo Morales para vir ao Brasil participar de uma atividade da CUT, em 2021”, contou Sérgio Nobre, ao destacar que o ex-presidente boliviano é um político reconhecido não só na América do Sul, mas em todo o mundo pelos mandatos à frente do governo boliviano (2006 -2019). No ano que vem, antecipou Sérgio Nobre, também iremos à Venezuela.

Fim do golpe

Luis Arce foi eleito presidente da Bolívia em outubro passado pelo partido  Movimento ao Socialismo (MAS), quase um ano após o golpe que obrigou Evo Morales a renunciar ao mandato e se exilar na Argentina. Arce foi ministro da economia de Evo e elegeu-se com 55% dos votos, O candidato da direita, Fernando Camacho, que é de Santa Cruz, obteve 14%.

Diferentemente dos demais presidentes na América do Sul, Bolsonaro ignorou Arce e só cumprimentou o presidente boliviano, via nota do Itamaraty, após o resultado oficial, dias depois da eleição.

Isso porque a vitória de Arce foi importante para o movimento progressista e a esquerda latino-americana. A eleição do ex-ministro de Evo garantiu à Bolívia retornar à normalidade democrática e a Evo Morales o direito de voltar ao seu país.

Durante o golpe, Jeanine Áñez foi empossada presidente, sem apoio popular e seu governo começou a desmontar os avanços conquistados nas áreas econômica e social pelos mandatos de Evo Morales.

Os bolivianos viram o país sofrer com a privatização de recursos e setores estratégicos, com o endividamento da nação junto a instituições financeiras internacionais, a diminuição das reservas internacionais e do Produto Interno Bruto.

Como ocorreu no Brasil desde o golpe contra Dilma Rousseff e a eleição e posse de Bolsonaro, a Bolívia, viu, no período de Áñez, a crise social se agravar pela pandemia de Covid-19, diante da incompetência do governo (mais de 148 mil casos e de 9 mil mortes).

O golpe começou a ruir quando com a atuação da base social do partido MAS e de seus dirigentes, principalmente Evo Morales, que do exílio na Argentina reorganizou as forças progressistas, movimentos sociais e sindicatos diante de um novo processo eleitoral.

O governo Áñez, reconhecido pela Assembleia Legislativa Plurinacional (parlamento) era o único com poder  de convocar novas eleições, mas tentou impedir o processo: adiou três vezes a data das eleições gerais, invalidou candidaturas com base em artifícios jurídicos rejeitados por especialistas; incentivou a criminalização dos candidatos do MAS com base em evidências inexistentes para retirá-los da disputa eleitoral, conforme tentaram em mais de uma ocasião com o presidente eleito, Luis Arce.

Em 18 de outubro, o povo boliviano votou e elegeu a agenda política de Arce-MAS, baseada na defesa da soberania, recursos nacionais e a redistribuição da riqueza.

Já Evo Morales, desde que retornou à Bolívia, vem realizando diversas reuniões com lideranças de organizações sindicais e sociais com o objetivo de traçar estratégias para apoiar o governo e garantir melhoria de vida aos bolivianos;

Central Obrera

Na COB, estão organizados não só  trabalhadores e trabalhadoras mineiros e operários, mas também estudantes e amplos setores populares como os camponeses.

A Central Obrera Boliviana conta com mais de 60 organizações filiadas, 16 organizadas em Centros Operários Departamentais (CODes) e Centros Operários Regionais (CORes).

Juan Carlos Huarachi, um trabalhador mineiro de Oruro, foi eleito secretário-executivo em fevereiro de 2018, durante o 17º Congresso Nacional da COB.

Fonte: CUT

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