“Podem esperar mais mobilizações contra o ajuste fiscal”, diz Guilherme Boulos

No último mês de maio, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizou três novas ocupações na região metropolitana de São Paulo. Segundo a coordenação do movimento, cerca de 6 mil famílias integram os novos acampamentos, localizados em Mauá, Embu das Artes e Itapecerica da Serra. O contexto em que surgem as ações é “resultado do modelo de cidade que exclui” e de cortes no orçamento federal na pasta de habitação, aponta o coordenador do movimento, Guilherme Boulos.

Movimento exige lançamento imediato do Minha Casa Minha Vida 3 | Fotos: Divulgação

A ocupação Oziel Alves, de Mauá, realizou uma manifestação nesta terça-feira (2) na prefeitura do município. O protesto tinha como objetivo abrir negociações com a gestão municipal para garantir a construção de moradia popular na área ocupada.

Estão previstos mais protestos para a quarta-feira (3). As ocupações Paulo Freire, em Embu, e Maria Bonita, em Itapecerica, farão manifestações exigindo que a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) avance na emissão de licenças ambientais necessárias para a elaboração e aprovação de projetos habitacionais para as áreas.

Ajuste fiscal

Além das demandas de cada ocupação, as manifestações têm um alvo político em comum: o ajuste fiscal promovido pelo governo federal. “[O ajuste] está afetando diretamente a questão da moradia. O Ministério das Cidades foi a pasta que recebeu o maior corte”, afirma Boulos. “Neste momento, as ocupações e manifestações têm um objetivo claro: pressionar o governo para lançar o Minha Casa Minha Vida 3 imediatamente”, enfatiza o coordenador do MTST.

Para ele, caso o ajuste prossiga, uma pressão cada vez maior sobre as cidades ocorrerá, fazendo com que a demanda por moradia popular aumente. Os dados parecem comprovar essa visão: além do “atraso” no Minha Casa Minha Vida, os juros para crédito imobiliário aumentaram e as próprias empreiteiras têm tido dificuldades devido ao avanço da taxa básica de juros.

Nesse novo cenário, o movimento promete não só manter como intensificar sua luta. “Contra esse ajuste antipopular, da parte do MTST, podem esperar mais mobilizações.”

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