Palestra debate a saúde mental no ambiente de trabalho

Como parte da Campanha Janeiro Branco, a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), com o apoio do Sinpro, realiza a palestra Saúde Mental: perspectivas sociais e acolhimento. O evento será realizado no dia 30 de janeiro, a partir das 19h, no auditório do sindicato (SIG Quadra 6 Lote 2260).

 

Conheça a campanha

O objetivo do Janeiro Branco é colocar em evidência a importância da saúde mental e promover ações de prevenção ao adoecimento emocional da população. A campanha incentiva as pessoas a investirem e garantirem saúde mental e emocional em seus relacionamentos interpessoais, trazendo uma visão transdisciplinar, humanista e moderna que engloba o combate a transtornos como a depressão, ansiedade generalizada, a esquizofrenia bipolaridade, bem como a capacidade de o indivíduo reagir  frente à pressão no trabalho, os desencontros amorosos, as cobranças da sociedade, as oportunidades da infância, as responsabilidades da vida adulta, as questões da senilidade e tantas outras.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com depressão aumentou 18,4% — hoje, isso corresponde a 322 milhões de indivíduos, ou 4,4% da população da Terra. O Brasil também é campeão mundial no índice de ansiedade: 9,3% da população manifesta o quadro. Ainda de acordo com a OMS, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo com maior prevalência nas Américas, ficando atrás somente dos Estados Unidos, que têm 5,9% de depressivos.

Entre os educadores o índice também assusta, sendo a maior causa de afastamento do trabalho. Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) apontou que 71% dos 762 profissionais de educação da rede pública de vários estados entrevistados no início de 2017 ficaram afastados da sala de aula após episódios que desencadearam problemas psicológicos e psiquiátricos nos últimos cinco anos. O estresse, muitas vezes provocado por situações de insegurança, teve a maior incidência, com 501 ocorrências (65,7%).

De acordo com a Secretária de Assuntos de Saúde do Trabalhadores do Sinpro-DF, Gilza Camilo, o alto número de afastamentos estão ligados às questões do ambiente de trabalho, à organização, às condições de trabalho, às oportunidades, ao balanço entre trabalho e vida fora dele, ao envelhecimento da população ativa, à precarização e à insegurança no emprego, são, hoje em dia, consideradas fontes de riscos psicossociais, que ameaçam a saúde mental dos trabalhadores.

A diretora ressalta que para combater o problema o Sinpro-DF desenvolveu uma pesquisa qualitativa com a categoria. Foram escutados professores afastados do trabalho por sofrimento psíquico e em processo de readaptação ou readaptados. O objetivo era compreender os efeitos subjetivos e a busca de simbolizações decorrentes da reinserção e integração social no contexto de trabalho. Além disso, foram visitadas s 57 Escolas da Rede Pública de Ensino do Distrito Federal para tratar de assuntos como, democracia, relações socioprofissionais, violência no trabalho, ensino integral, ideações suicidas de alunos e professores entre outros. “É preciso suavizar o sofrimento num véu discursivo e diminuir os tons violentos de condições precárias de trabalho com inclusão. A categoria não deve se apequenar e nem se auto implodir por não poder esclarecer o que acontece. Há relatos de sentimentos de ansiedade, angústia, tristeza, cansaço e impotência diante dos atos violentos cometidos no ambiente escolar pela direção, por colegas de trabalho, pais e alunos. A saúde mental dos docentes está em perigo e a prevenção deve iniciar com uma leitura da realidade do cotidiano nas escolas. É preciso fortalecer o eu e reconhecer limites, se preparando para enfrentar o caminho e resolver os conflitos internos”, concluiu a diretora.

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