Novembro Azul: vencer o preconceito é salvar vidas
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia, o câncer de próstata matou 48 homens por dia em 2024, um aumento de 21% em dez anos. O número elevado é resultado da combinação de diversos fatores, que vão desde estigmas estruturais a falhas no acesso à saúde, falta de informação e diagnóstico tardio. E o cenário tende a se agravar: estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê 71,7 mil novos casos do tipo de câncer em 2025.
Os números mostram que, mais do que um problema de saúde, trata-se de uma questão cultural enraizada. Nesse sentido, a educação se apresenta como uma ferramenta essencial para quebrar tabus, promover a conscientização, e pôr fim à cultura tóxica — que associa o cuidado com a saúde à fragilidade e afasta homens da prevenção e do diálogo sobre o próprio corpo.
“A escola é um espaço privilegiado de desconstrução de estereótipos e de formação para a vida. É nela que podemos influenciar os estudantes — especialmente os meninos — a compreenderem que cuidar de si não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade e amor-próprio. Muitos homens ainda morrem em decorrência do câncer de próstata por conta de padrões tradicionais de masculinidade que desestimulam o autocuidado e o diálogo sobre saúde, e isso precisa mudar”, disse o diretor do Sinpro Rodrigo Teixeira.
Atendimento cresceu 32%
Apesar do cenário preocupante, levantamento do Ministério da Saúde aponta que, nos últimos anos, o tema tem ganhado mais visibilidade, evidenciando sinais de mudanças. Entre 2020 e 2024, o número de atendimentos a homens com até 49 anos cresceu cerca de 32% no Sistema Único de Saúde (SUS) — movimento que indica maior busca por exames preventivos.
O dado se apresenta como algo promissor, já que quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de cura. Segundo avaliação do especialista do Departamento de Terapia Minimamente Invasiva da SBU, Gilberto Laurino Almeida, a cura da doença pode chegar até 98%, a depender do estágio e do tipo de câncer.
“Precisamos transformar o constrangimento em cuidado. A saúde não pode ser motivo de piada ou vergonha. Quanto mais cedo o homem procurar atendimento e realizar os exames preventivos, maiores são as chances de cura. É hora de romper o silêncio, encarar o preconceito e entender que prevenção também é um ato de coragem”, disse o diretor do Sinpro Esequiel Moura.
Como identificar
Em estágios iniciais, o câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas, o que reforça a importância de exames periódicos. Quando há sinais, podem incluir dificuldade para urinar, jato fraco ou interrompido, sangue na urina ou no sêmen, dor ao urinar ou nos ossos, especialmente na coluna e quadris, e outros.
O diagnóstico da doença é realizado a partir da combinação de exames que ajudam a identificar alterações na glândula e confirmar se há presença de um tumor.
