Sinpro repudia censura eleitoreira da SEEDF que transforma escolas em espaços de vigilância e de intimidação
O Sinpro repudia o uso político, pelo governo Celina Leão, de uma Representação apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) para determinar que gestores retirem dos murais do sindicato nas escolas públicas um cartaz da entidade sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), afixados ainda no primeiro semestre deste ano.
O secretário de Educação Thiago Peixoto mobilizou a estrutura da rede pública de ensino para censurar o cartaz. E, por meio do Memorando Circular nº 64/2026, ele orientou os gestores a localizarem, retirar e impedir a afixação deste material da entidade, colocando os gestores no papel de delatores para informar à secretaria quais as unidades fiscalizadas. Essa repressão política é abuso de poder que extrapola o cumprimento de uma decisão da Justiça Eleitoral e cria nas escolas um ambiente de insegurança, desconfiança, intimidação, monitoramento político e terrorismo psicológico, atingindo a liberdade de expressão e a autonomia das comunidades escolares, uma vez que não é papel da escola realizar esse tipo de ação eleitoreira.
A Representação contra o Sinpro foi apresentada ao TRE-DF pelo deputado distrital Marcos Martins Machado (Republicanos) e pelo Diretório Regional do partido para obrigar a retirada do cartaz durante o período eleitoral. O governo Celina, porém, transformou a medida em uma operação de fiscalização política na rede pública de ensino, apresentada como simples cumprimento de uma decisão da Justiça Eleitoral. O Memorando Circular nº 64/2026, da SEEDF, extrapola a decisão do TRE.
Diante dessa prática típica de governos ditatoriais, que buscam esconder do povo todo tipo de corrupção com os recursos públicos para benefício próprio, a diretoria colegiada do Sinpro denuncia o uso da máquina pública para produzir um clima de medo e vigilância dentro das escolas.
O cartaz do Sinpro não trata de uma questão privada ou estranha ao interesse da comunidade escolar. Ele aborda a fraude do Banco Master e o envolvimento do BRB, banco público do Distrito Federal, e os possíveis impactos sobre o patrimônio e os recursos públicos, além de expressar o posicionamento do Sinpro e da CUT-DF. A crise do BRB-Master já produziu impactos concretos sobre as finanças públicas e o debate público do Distrito Federal. O próprio Sinpro vem alertando para os riscos da operação e para as consequências que podem recair sobre a população e os servidores.
É especialmente grave que a SEEDF utilize sua estrutura para controlar a circulação de um material sindical e monitorar sua presença nas escolas, em vez de fortalecer a gestão democrática, o pensamento crítico, a pluralidade e o acesso a informações de interesse público. A escola pública é espaço de formação, participação social e livre circulação de ideias. Não pode ser transformada em território de vigilância e repressão política nem seus gestores serem convertidos em fiscais de manifestações políticas.
O Sinpro não aceita que o governo utilize a máquina pública para determinar o que pode ou não ser debatido pela comunidade escolar. O sindicato continuará informando a categoria e a sociedade sobre a crise do Master-BRB, os riscos envolvendo recursos públicos e as responsabilidades políticas que precisam ser debatidas de forma transparente. Retirar cartazes não elimina o debate, assim como mobilizar gestores para fiscalizar escolas não transforma censura em democracia.
O Sinpro adotará todas as providências políticas e jurídicas cabíveis para defender a liberdade de expressão, a autonomia das escolas, a gestão democrática da educação e o direito da comunidade escolar à informação.
Diretoria Colegiada do Sinpro-DF
