Movimento sindical perde o professor Olímpio: fundador do Sinpro-DF

A história do movimento sindical docente na capital do País perdeu, nesta segunda-feira (7), um dos seus principais protagonistas. Faleceu, aos 80 anos, o professor Olímpio Mendes, um dos fundadores do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) e primeiro presidente da entidade na breve gestão inicial de 1979.

Ele faleceu na manhã desta segunda, às 7h45, de traumatismo cranioencefálico e morte súbita. Há 3 semanas, ele sofreu uma queda em razão de uma síncope cuja consequência foi o traumatismo craniano. Recebeu o tratamento de emergência no Hospital Estadual de Urgências de Goiânia (Hugo). Estava se recuperando bem e recebeu alta. Na manhã desta segunda-feira (7), acordou se queixando de dores na barriga. Faleceu nos braços da filha Renata. A família informa que não haverá velório e seu corpo será sepultado, nesta terça-feira (8), em Formosa, Goiás.

Neste momento de dor, a diretoria colegiada do Sinpro-DF manifesta o mais profundo pesar, se solidariza com familiares, amigos, colegas e companheiros de luta e ratifica seus sentimentos por essa grande perda. Informa que em toda a sua trajetória o professor Olímpio sempre foi muito preocupado em ter boas condições de trabalho não só para si, mas também para todos os professores(as) em especial, e para toda a classe trabalhadora.

Goiano de Formosa, Olímpio teve sua trajetória profissional e militância política toda construída no DF. Em 1963, ele foi presidente da UBES. Em 1964, com o início da ditadura, ele foi exilado no México. Foi um dos líderes da refundação da Associação dos Professores do DF e o primeiro presidente do Sinpro-DF em 1979. A diretoria lembra que ele lutou muito para assegurar boas condições de trabalho e salários dignos para a categoria, dentre outros direitos trabalhistas que existem, atualmente, no contracheque de cada professor(a), mas estão ameaçados pela reforma administrativa do governo Jair Bolsonaro.

“Nessa reconstrução da Associação dos Professores e, depois, do Sinpro-DF, teve momentos em que ele se sentiu bastante sozinho porque, no início, a luta era muito difícil. A refundação da Associação ocorreu em Taguatinga, com 28 professores, entre esses, ele, minha irmã (mulher dele) e eu. Reconstruir, fazer o primeiro jornal, foi muito difícil para os professores daquele ano de 1975. Acho que o que temos é de guardar na memória que ele, em todos os momentos, nunca deixou de se sentir parte de nossa categoria, mesmo depois de aposentado”, afirma Lúcia Helena de Carvalho primeira presidenta do Sinpro-DF na gestão 1987-1990.

Cunhada e companheira de militância do professor Olímpio desde o primeiro momento da refundação da Associação, em 1975, Lúcia afirma que a contribuição dele está impressa em cada dia da trajetória histórica do Sinpro-DF. Olímpio foi casado com Maria Aparecida de Carvalho, professora de português concursada da Secretaria de Estado da Educação do DF (SEEDF), também fundadora da Associação, irmã de Lúcia e falecida em 1976. “Ele deixou marcas no nosso sindicato que vão ficar para sempre na nossa história”, afirma.

Rosilene Corrêa, diretora do sindicato, lamenta o falecimento e ressalta a coragem, perseverança e dedicação. “Nunca teve medo de enfrentar quem quer que fosse para conseguir o que era certo e de direito para a sua classe profissional”, ressalta a diretora. Os familiares destacam que sua sensibilidade e espírito de justiça eram seu princípio e maneira de viver. “Sempre corajoso e forte, tudo que fazia pela nossa família também fazia pelos trabalhadores da educação. Ele foi bom tanto para a sociedade quanto para nós, na família”, completa a neta Ana Flávia.

A diretoria do Sinpro-DF se despede do professor Olímpio com a certeza de que seu exemplo de luta, sua dedicação e seus ideais de defesa da classe trabalhadora e do magistério público, com uma educação pública, gratuita, inclusiva, libertadora, emancipadora e de qualidade socialmente referenciada seguem iluminando cada dirigente e cada professor(a) que valoriza sua própria profissão, sua categoria, sua entidade sindical e a luta por um país soberano, democrático e que ofereça uma vida mais justa, digna, inclusiva a todos e todas, com boas condições de trabalho asseguradas a todas as categorias profissionais.

Professor Olímpio, presente!

 

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