Marcha em Brasília elevará pressão popular sobre o Congresso pelo fim da escala 6×1

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Presidente da CUT em entrevista à TVT sobre a Marcha da Classe Trabalhadora

A Marcha da Classe Trabalhadora, organizada de forma unitária pelas centrais sindicais, que acontece nesta quarta-feira, 15 de abril, em Brasília, se tornou um instrumento ainda maior de pressão popular pelo fim da escala 6×1, porque a proposta deve ser votada em comissão da Câmara dos Deputados também na quarta-feira.

“Para passar, tem que ter muita pressão popular, dos trabalhadores e das trabalhadoras, do movimento sindical, porque os empresários não querem o fim da escala. A marcha se tornou ainda mais importante, por isso, à luta”, convoca o presidente nacional da CUT, Sergio Nobre.

O fim da escala 6×1 é uma das pautas prioritárias da Marcha, que será precedida pela CONCLAT (Conferência da Classe Trabalhadora), que atualiza a Pauta da Classe Trabalhadora para o período 2026/2030.

Em entrevista a TVT concedida ao meio-dia desta segunda-feira (13), Sergio Nobre afirmou que a expectativa é de uma grande presença popular na Capital Federal, justamente para pressionar parlamentares, porque, segundo ele, o envio do projeto que propõe o fim da escala 6 X 1 à CCJ não garante o avanço automático da proposta.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou a proposta do fim da escala 6×1 à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa no dia 9 de fevereiro e a previsão é de que seus integrantes avaliem e votem a matéria nesta quarta-feira.

Segundo Sergio Nobre, há forte influência do setor empresarial sobre o Congresso Nacional, o que pode empurrar o debate para depois. “Eles querem jogar esse debate para o ano que vem e a gente não pode permitir”, afirmou.

A defesa da redução da jornada sem redução do salário é uma pauta histórica da CUT, do movimento sindical. “O trabalhador ter dois dias na semana para ele e sua família é um direito básico. Estamos em pleno século 21 e é uma conquista importante, mas que exige muita luta”, declarou o presidente da CUT.

Além de participação da marcha em Brasília, o dirigente destacou a importância da pressão digital sobre deputados federais e senadores. “É importante também mandar mensagem para o seu deputado, para o seu senador. Isso sensibiliza muito eles, as redes sociais influenciam bastante”, orientou Sergio Nobre, citando o site do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) como ferramenta de acesso aos contatos parlamentares.

Produtividade

Um dos argumentos dos empresários contrários ao fim da escala 6 x1, que tem encontrado forte apoio da mídia tradicional, é a de que haverá perdas financeiras, fazendo com que o país tenha queda de produtividade.

À TVT, Sergio Nobre rebateu esses argumentos. “Experiências mostram que nos países que reduziram a jornada, as empresas também se beneficiaram. Com menos horas de trabalho, a produtividade cresce”, afirmou. Ele acrescentou que há redução de adoecimento dos trabalhadores e de custos. “Portanto, é uma redução de custos que beneficia a sociedade, beneficia as empresas também”.

Para o presidente da CUT, o Brasil não deve tratar a pauta com preconceito. “Se foi bom no mundo todo, vai ser bom aqui.”

Pauta ampliada: aplicativos, servidores e paz

A marcha não se restringirá à bandeira da redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Segundo Sergio Nobre, entre as reivindicações está a regulamentação do trabalho por aplicativos. “São milhões de trabalhadores e trabalhadoras nessa condição e que não têm direito a absolutamente nada, trabalhando de forma precária”, afirmou.

Sergio destaca também a regulamentação da negociação coletiva no serviço público. “Até hoje, a categoria não tem direito à negociação coletiva”, disse, classificando o tema como fundamental para a pauta sindical.

A mobilização também deve abordar temas que vão além do mundo do trabalho. “Queremos dar visibilidade também para o tema da paz”, afirmou, relacionando a marcha ao cenário internacional. Ele ainda destacou o combate ao feminicídio: “Todo dia tem um caso de feminicídio no Brasil e a classe trabalhadora tem que se pronunciar, agir sobre isso.”

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Veja aqui a entrevista 

 

Programação e articulação institucional

A agenda do dia 15 de abril começa com concentração às 8h, com uma plenária nacional para atualizar a Pauta da Classe Trabalhadora ao período 2026/2030, que foi elaborada em unidade pelas centrais sindicais na CONCLAT, em abril de 2022. A partir das 10h30 e após a votação da pauta, os trabalhadores e trabalhadoras seguem em marcha até o Congresso Nacional.

A marcha contará com caravanas de dirigentes e militância sindical vindas de todas as partes do país.

Durante a tarde, as centrais entregarão formalmente suas reivindicações aos principais poderes da República. Está prevista reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem será apresentada a pauta e feito um balanço das medidas já adotadas. “A gente vai entregar a pauta ao presidente Lula e também e agradecer a tudo que o governo federal já encaminhou, desde 2022”, disse.

Também estão previstos encontros com as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, além de representantes do Judiciário – presidente do Supremo Tribunal Federal, (STF) e ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Ao Parlamento e ao Judiciários serem entregues as agendas das centrais sindicais aos respectivos poderes com as prioridades da classe trabalhadora para 2026.

Primeiro de Maio

A marcha está inserida em um calendário mais amplo de mobilização rumo ao Dia do Trabalhador e da Trabalhadora. Segundo Sergio Nobre, o Primeiro de Maio 2026 terá atos descentralizados em todo o país. “A gente orientou todas as entidades sindicais a fazer manifestação nos seus municípios”, afirmou, citando mobilizações já previstas em cidades como São Bernardo do Campo.

A expectativa, segundo ele, é que algumas pautas avancem até lá. “Espero que no primeiro de maio a gente já possa comemorar o fim da escala 6×1 e a regulamentação do trabalho por aplicativo.”

O presidente nacional da CUT apontou o momento político como decisivo. Ele mencionou o período entre 2016 e 2022 como de desmonte de direitos e destacou a necessidade de evitar retrocessos. “Isso não pode voltar mais no Brasil”, afirmou.

Nesse contexto, as eleições entram no horizonte da mobilização. Para Sergio Nobre, a disputa política está diretamente ligada às condições de vida da classe trabalhadora e às pautas defendidas pelo movimento sindical.

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Fonte: CUT