18 de maio | Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Falar sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes é falar sobre violência, poder e desigualdade. Esse não é um problema restrito à família, mas um problema sério de toda a sociedade, que deve ser enfrentado com políticas de prevenção e combate.

Nesse enfrentamento, a educação pública ocupa um lugar estratégico. A escola alcança cotidianamente milhões de crianças e adolescentes. Em muitas comunidades, especialmente nas periferias urbanas e áreas rurais, a escola é o principal espaço de convivência social, escuta e proteção. Mais ainda do que tudo isso, a escola é a instituição com capacidade de identificar os processos de abuso.

A extrema direita e os setores conservadores frequentemente interditam os debates de gênero e as políticas de educação sexual nas escolas, difundindo desinformação e pânico moral. No entanto, são esses debates contribuem para que crianças e adolescentes desenvolvam maior capacidade de reconhecer situações abusivas, estabelecer limites e buscar ajuda.

Segundo Regina Célia, diretora da Secretaria de Mulheres do Sinpro, se a escola evitar esses temas, abre espaço para a desinformação e para a perpetuação da violência. “O silêncio nunca protegeu crianças; ao contrário: historicamente, sempre protegeu agressores”, afirma ela. “Precisamos trabalhar esse tema dentro das escolas, porque, assim, ele também reverbera na sociedade como um todo”, completa.

 

Maio Laranja

O Maio Laranja é uma mobilização nacional dedicada ao enfrentamento, conscientização e prevenção do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes. O marco central da mobilização é o 18 de Maio, instituído como o Dia Nacional de Combate a esse tipo de violência.

A data faz referência ao sequestro, violência e assassinato da menina Araceli, de apenas 8 anos de idade, no Espírito Santo, em 1973. No mesmo ano, em setembro, a morte da menina Ana Lídia, de 7 anos, chocou o Distrito Federal.

“Crianças que sofrem violências perdem muito mais que a infância: perdem a segurança, a confiança e, muitas vezes, a voz. O Maio Laranja existe para nos lembrar que o silêncio nunca pode ser maior que a nossa responsabilidade. Proteger crianças e adolescentes não é escolha, é dever de toda a sociedade”, finaliza Silvana Fernandes, também da Secretaria de Mulheres do Sinpro.

Dentro do Maio Laranja, a campanha Faça Bonito foi criada pela Lei Federal nº 9.970/00 e se realiza em todo o país desde o ano 2000.

“Nos últimos anos, o feminicídio está explodindo no DF e no Brasil. As crianças testemunham a violência sofrida pelas mães tanto quanto os discursos de ódio, que recrudesceram, e dão um recado de legitimação da violência”, destaca Berê Darc, coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sinpro. “É por isso que a campanha Faça Bonito tem uma potência muito grande, encabeçada pela educação. É na sala de aula que descobrimos muitas coisas, a partir do olhar profissional”, completa ela.