Impactos socioambientais e estratégias de combate ao uso de agrotóxicos foram tema de seminário internacional

Diante da necessidade de fomentar a discussão sobre o uso de agrotóxicos no país, nos dias 10, 11, 12 e 13, Goiás recebeu o “I Seminário Internacional e III Seminário Nacional: Agrotóxicos, Impactos Socioambientais e Direitos Humanos”, uma realização do Núcleo de Agroecologia e Educação do Campo (GWATÁ), em parceria com diversas organizações.
Foram quatro dias de conferências, mesas redondas, espaços de diálogo e grupos de trabalho, que estabeleceram um cenário para divulgação científica acerca da temática e articulou nacionalmente e internacionalmente sobre os direitos humanos, diante dos impactos socioambientais gerados pelo consumo excessivo de produtos tóxicos.
O evento aconteceu na Cidade de Goiás/GO e reuniu representantes de instituições de pesquisa e direitos humanos da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, México, entre outros.

Indo na contramão da preservação da natureza e da saúde, o Brasil é hoje o maior consumidor mundial de pesticidas. Enquanto que diversos países regrediram na utilização de agrotóxicos, nossa nação avança a passos largos na liberação de produtos que, de acordo com estudos científicos, estão diretamente ligados ao surgimento de inúmeras doenças, como problemas neurológicos, motores e mentais, distúrbios de comportamento, problemas na produção de hormônios sexuais, infertilidade, má formação fetal, aborto, câncer e muitas outras.
No Brasil, segundo estudo realizado pela geógrafa Larissa Lombardi, existem 504 tipos de agrotóxico permitidos, desse total, 30% são agrotóxicos que já foram proibidos na Europa, pois seus riscos à saúde são comprovados. Um dossiê publicado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva –  Abrasco, em parceira com o Ministério da Saúde, apontou que 64% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros são contaminados. De 2007 a 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 34.147 intoxicações, enquanto que, de 2000 a 2012, o percentual de aumento do uso dos pesticidas no Brasil foi de 288%, o que gerou um faturamento da indústria do ramo de 12 bilhões.
O uso indiscriminado de agrotóxicos no país mata uma pessoa a cada três dias e, diariamente, contamina outras oito. Trabalhadores e trabalhadoras podem ser contaminados desde o processo de fabricação, transporte, aplicação e até descarte da embalagem vazia, bem como a contaminação de rios, vegetação, ar e animais.
Venenos podem ser encontrados em frutas, verduras, carnes, leite, bebidas, produtos industrializados e em quase tudo que está exposto nas prateleiras dos supermercados. Ainda de acordo com o material da Abrasco, cada pessoa ingere por ano o equivalente a mais de sete litros de agrotóxicos e, em alguns estados em que a o agronegócio está diretamente presente como no Paraná, o índice chega a 8,7 litros de agrotóxicos por pessoa, um número preocupante e que deve ser discutido urgentemente.

O que vem por aí ?

Sem dúvida, essa é uma discussão urgente e necessária. Com a ascensão do conservadorismo no Brasil, por meio da eleição de Jair Messias Bolsonaro (PSL), além da retirada de inúmeros direitos trabalhistas e o retrocesso em políticas sociais, o cenário que está posto para o meio ambiente também é preocupante.  A começar pela futura ministra da Agricultura, a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS). Tereza é presidenta da Frente Parlamentar Agropecuária do Congresso Nacional, mais conhecida como bancada ruralista ou bancada do boi. Além disso, Tereza presidiu a Comissão Especial que aprovou o PL do Veneno (PL 6299/02), que impulsiona o uso de agrotóxicos no Brasil. Aliás, sua acentuada atuação em prol do PL lhe rendeu, inclusive, o apelido de Musa do Veneno. O projeto está pronto para ser votado no Plenário da Câmara.
Para a integrante do Coletivo do Meio Ambiente do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro/DF) Iolanda Rocha, o próximo período deverá ser de resistência também no que diz respeito a luta em defesa da natureza. “As informações sobre os riscos dos agrotóxicos devem chegar para toda a população. Várias pessoas estão sendo contaminadas, estamos ingerindo veneno em nossa alimentação e precisamos combater esse crime contra a vida das pessoas e contra o meio ambiente. Certamente, serão tempos difíceis, mas a força e a unidade devem prevalecer. Teremos uma ministra da agricultura que é favorável às agendas dos ruralistas e um projeto de lei que representa um grande risco para a população.  É preciso que organizações se mantenham firmes nessa importante luta”, avaliou.
 

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