GDF ignora lei e Sinpro lança campanha para universalizar a Educação com Movimento nas escolas públicas
Enquanto o mundo reconhece a relação entre Educação Física, desenvolvimento e aprendizagem, o governo Ibaneis/Celina insiste em manter a educação das crianças da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental destituída do ensino sistematizado da cultura corporal: jogos, esportes, danças, ginástica, lutas e expressão corporal. Por trás dos muros das escolas públicas, crianças passam horas em imobilidade, sentadas, como se apenas suas cabeças, separadas de seus corpos, estivessem matriculadas na escola.
Essa realidade persiste mesmo com a existência da Lei nº 7.727/2025, que institui o programa “Educação com Movimento” e que, até hoje, segue engavetada pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Diante desse descaso, o Sinpro lança a campanha “Educação com Movimento na Infância: Lei na Escola, não na Gaveta”, convocando a categoria e a sociedade a pressionarem pela universalização e implementação imediata dessa política pública.
Por que o programa é essencial?
O “Educação com Movimento” não é um projeto pontual, mas uma política estruturante que integra práticas corporais, esportivas e lúdicas ao cotidiano escolar. Seu objetivo é garantir o desenvolvimento integral das crianças, articulando corpo, pensamento e emoção. Ao valorizar experiências como jogos, esportes, danças, lutas, ginástica e brincadeiras, o programa assegura às crianças o direito de conhecer e desenvolver seu próprio corpo em sua plenitude.
Evidências científicas são contundentes: o ensino da Cultura Corporal potencializa a atenção, a memória, a regulação emocional e o desempenho cognitivo. Ignorar isso é condenar a escola ao adoecimento. Como afirma o Sinpro, “não se trata de tirar o(a) aluno(a) da sala, mas de reconhecer que o corpo aprende. O movimento oxigena o cérebro, reduz a ansiedade e qualifica a aprendizagem”.
Diferentemente de ações pontuais, a proposta vai além: prevê reorganização dos tempos escolares com intervalos ativos orientados por profissionais qualificados; formação continuada para professores(as) de todas as áreas; adequação dos espaços escolares; respeito às fases do desenvolvimento infantil; e integração ao projeto político-pedagógico. Trata-se de superar uma escola que reduz o brincar e o jogar a momentos acessórios e reconhecer essas práticas como parte constitutiva do processo educativo.
Universalizar o “Educação com Movimento” é garantir o direito das crianças a uma educação integral. Não se trata de inovação, mas de cumprimento da lei. O que está em jogo é o futuro das crianças da escola pública.
Como pressionar
A universalização da ‘Educação com Movimento’ nas escolas públicas do DF exige ação articulada de professores(as), orientadores(as) educacionais e toda a comunidade escolar. Para a categoria do magistério público, é fundamental pressionar o Governo do Distrito Federal (GDF) pela ampliação imediata do quadro de professores(as) de Educação Física, única forma de garantir que todas as escolas tenham condições reais de oferecer este componente curricular de forma plena. O Sinpro já protocolou essa pauta junto à Secretaria de Educação do DF (SEEDF) e aguarda um posicionamento concreto.
Pela comunidade escolar, é indispensável procurar as escolas classe que ainda não contam com professores de Educação Física e dialogar com o gestor escolar sobre a inclusão dessa necessidade no Projeto Político Pedagógico (PPP) da unidade.
Somente com pressão popular e institucional será possível assegurar o direito ao movimento, ao desenvolvimento integral e à qualidade social da educação pública no DF.
