Evento fortalece aliança com povos indígenas em circuito sobre o mundo do trabalho

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A Central Única dos Trabalhadores (CUT) promove, entre os dias 6 e 8 de julho, em Fortaleza (CE), o Circuito Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho, iniciativa que aproxima o movimento sindical dos povos indígenas para fortalecer uma pauta comum em defesa do trabalho digno, dos direitos territoriais e da economia solidária. A atividade é organizada pela Secretaria Nacional de Economia Solidária da CUT, em parceria com a Condsef/Fenadsef, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

O encontro parte de uma ideia simples, mas pouco presente no debate público: os povos indígenas também fazem parte do mundo do trabalho. Em seus territórios, desenvolvem formas próprias de produzir, compartilhar conhecimentos e garantir a sobrevivência das comunidades, sempre em estreita relação com a natureza e com a organização coletiva. Essa realidade dialoga diretamente com os princípios da economia solidária e amplia o olhar sobre o significado do trabalho para além das relações formais de emprego.

Ao aproximar sindicatos e povos indígenas, a CUT pretende fortalecer uma aliança construída em torno de reivindicações que se cruzam. A defesa dos territórios, da demarcação das terras indígenas, da saúde diferenciada, da educação escolar específica e da preservação dos modos tradicionais de produção também representa uma luta por dignidade, justiça social e melhores condições de vida para quem vive do trabalho.

A iniciativa faz parte do projeto Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho, lançado pela CUT em março deste ano. O objetivo é criar espaços permanentes de diálogo entre organizações sindicais e lideranças indígenas, estimular experiências de economia solidária e construir estratégias conjuntas para enfrentar as desigualdades que atingem trabalhadores do campo, da cidade e dos territórios indígenas.

Para o secretário nacional de Economia Solidária da CUT, Admirson Medeiros Ferro Jr. (Greg), o projeto amplia a compreensão sobre quem produz riqueza no país e fortalece a união entre diferentes segmentos da classe trabalhadora.

“Esse projeto soma esforços para compreender e ampliar as relações entre o mundo do trabalho que representamos e o mundo do trabalho dos povos indígenas”, afirmou o dirigente durante o lançamento da iniciativa.

Segundo Greg, a parceria construída com a APIB e as entidades sindicais reforça que a luta dos povos indígenas não está separada da luta sindical. Ao contrário, faz parte do desafio de construir um modelo de desenvolvimento que respeite os direitos humanos, valorize os territórios e garanta trabalho com dignidade.

Três dias de troca de experiências

A programação foi organizada para combinar reflexão política e vivência prática. Na abertura, em 6 de julho, será inaugurada uma exposição fotográfica que retrata o cotidiano, o trabalho e a resistência dos povos indígenas. No dia seguinte, os participantes visitarão os territórios dos povos Anacé da Japuara e Tapeba, em Caucaia, conhecendo de perto experiências de organização comunitária e produção coletiva.

O último dia será dedicado aos debates. Representantes da CUT, da APIB, da Condsef/Fenadsef, da CNTE, de cooperativas, órgãos públicos e organizações indígenas discutirão os desafios do mundo do trabalho, a defesa dos direitos territoriais, o fortalecimento das economias indígenas, além de temas como saúde, educação e sustentabilidade.

Mais do que reunir especialistas e dirigentes, o circuito também pretende ampliar a participação da sociedade. Estudantes, pesquisadores, educadores, integrantes de cooperativas, movimentos sociais e demais interessados poderão acompanhar as atividades gratuitamente, contribuindo para ampliar o diálogo entre diferentes setores comprometidos com a defesa dos direitos dos povos originários e da classe trabalhadora.

A expectativa da CUT é que o encontro marque mais um passo na construção de uma articulação permanente entre o movimento sindical e os povos indígenas, fortalecendo iniciativas que unam justiça social, preservação ambiental, economia solidária e trabalho digno.

Confira a programação

6 de julho – Abertura política

17h

  • Admirson Medeiros Ferro Jr. (Secretaria Nacional de Economia Solidária da CUT)
  • Ingrid Martins (Departamento Jurídico da APIB)
  • Roberto Luque (coordenador-geral do Sintsef-CE)

7 de julho – Visita aos territórios

  • Povos Anacé da Japuara e Tapeba, em Caucaia (CE)

8 de julho – Debates políticos (SINTSEF-CE)

9h – Abertura

  • Will Pereira (CUT-CE)
  • Cassimiro Tapeba (APOINME)
  • Áurea Anacé (Povo Anacé)

9h15 – Mesa 1
Análise da conjuntura política e econômica: movimento indígena e mundo do trabalho

  • Mônica Carneiro (Condsef)
  • Paulino Montejo (APIB)

10h30 – Mesa 2
Direitos territoriais, autonomia e sustentabilidade: fortalecimento das economias indígenas

  • Admirson Medeiros Ferro Jr. (CUT)
  • Kilvia Tapeba (Cooperativa Tapeba)
  • Sérgio Godoy (Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego – participação a confirmar)
  • Rodrigo Araújo de Souza (Unisol-CE)

Mediação: Gustavo Guerreiro (Sintsef-CE).

14h30 – Mesa 3
Territorialidade, saúde e educação escolar indígena

  • Bernadete Pitaguary (Seduc-CE)
  • Weibe Tapeba (ex-secretário de Saúde Indígena)
  • Fabio Jenipapo (OPRINCE)
  • José de Assis (Sintsef-CE)

Mediação: Ivonete Alves (CNTE).

16h – Mesa 4
Aliança estratégica: movimento indígena e movimento sindical juntos na luta

  • Edy Serigy Tupinambá (SINTESE)
  • Leiluan Igo Carvalho de Mesquita (AGSUS)
  • Emerson Guaraní (Funai/Sindsep-DF)

Mediação: Mônica Carneiro (Condsef).

Serviço

Circuito Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho

Data: 6 a 8 de julho de 2026

Locais: Sede do SINTSEF-CE (Rua 24 de Maio, 1201, Centro, Fortaleza) e territórios indígenas Anacé da Japuara e Tapeba, em Caucaia (7 de julho).

Participação: gratuita e aberta ao público.

Inscrições: https://forms.gle/N1ktHodUYdAQhZDA8

Fonte: CUT