Estudantes da EJA do CED 01 de Brasília participam da etapa regional do Circuito de Ciências

A etapa regional do 15º Circuito de Ciências das Escolas Públicas do Distrito Federal, promovida pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e realizada em 4 de setembro de 2026 no CEMI Cruzeiro, contou com a participação de estudantes da EJA do Centro Educacional 01 de Brasília (CED 01). Seis projetos desenvolvidos por alunos do sistema prisional do Distrito Federal foram selecionados para o evento, que nesta edição teve como tema “Elas na Ciência: conectando saberes, tecnologia e meio ambiente”.
Os trabalhos selecionados foram: “Entre Vozes e Saberes: Memória, Linguagem e Ciência”; “Racismo Climático no Distrito Federal: um olhar sobre o Lago Sul e o Sol Nascente”; “Radioatividade: um jogo para aprender – a história de Marie Curie”; “Quem faz ciência? Percepções de estudantes homens da EJA sobre a participação das mulheres no conhecimento científico”; “Dona Absorvente: dispenser sustentável para dignidade menstrual – feito por eles, para elas”; e “Moringa oleifera: propriedades nutricionais para o desenvolvimento sustentável”.
Um dos projetos, orientado pela professora Juliana Bottechia, foi “Quem faz Ciência? Percepções de estudantes homens da EJA privados de liberdade sobre a participação das mulheres no conhecimento científico”. A iniciativa buscou abrir um espaço pedagógico para debater desigualdades de gênero. Ao estudar trajetórias de cientistas, os obstáculos que enfrentaram e a distribuição social de oportunidades e reconhecimento, os alunos ampliaram sua cultura científica e sua compreensão sobre direitos, respeito e convivência. “Tanto foi um desafio, como uma potencialidade por reconhecer que a construção da equidade não pode ser uma tarefa atribuída somente às mulheres. Orientar o trabalho foi possível por acreditar na educação como possibilidade concreta de criação de novos conhecimentos, em que a superação das desigualdades pode produzir uma sociedade em que mulheres e homens avancem e vençam juntos”, afirmou Juliana, professora de química e orientadora do projeto.
Mesmo diante das limitações do regime fechado e da ausência de acesso à internet, os alunos da EJA do CED 01 participaram de todas as etapas de investigação com a orientação dos professores da unidade. Para desenvolver as pesquisas, utilizaram conteúdos e materiais impressos, o que reforça que a produção do conhecimento pode ocorrer em diferentes espaços educacionais e não se restringe às universidades ou aos laboratórios. “Proporcionar o fazer científico às pessoas privadas de liberdade amplia as possibilidades de aprendizagem e fortalece a educação como instrumento de construção do conhecimento e da cidadania”, afirma Gabriela Rocha, professora de biologia.
Como os estudantes cumprem pena em regime fechado, a apresentação no CEMI Cruzeiro foi feita pelos professores orientadores, que representaram os autores dos projetos. Ainda assim, a autoria e o protagonismo dos alunos da EJA do CED 01 estiveram no centro da participação: cada pesquisa partiu de questionamentos, experiências e problemas presentes na realidade dos próprios estudantes, relacionando ciência, tecnologia, meio ambiente e questões sociais. “Mesmo diante das severas limitações do ambiente, eles adaptaram o método científico ao seu cotidiano. Acompanhar a dedicação com que formulam hipóteses, coletam dados e debatem sobre a Radioatividade e o Racismo Climático mostra que a curiosidade intelectual não pode ser encarcerada, transformando o projeto em um verdadeiro canal de liberdade e reconstrução de trajetórias”, completou a professora Gabriela Rocha.
A presença desses trabalhos na etapa regional do Circuito de Ciências da SEEDF evidencia a importância da Iniciação Científica no sistema prisional como caminho para estimular o protagonismo dos estudantes na construção do próprio conhecimento. Ao pesquisar, elaborar e compartilhar saberes, os alunos da EJA do CED 01 ampliam suas possibilidades de aprendizagem e fortalecem a educação como instrumento de construção da cidadania.
