Estudante da rede pública é aprovado em Medicina na UnB

Nem mesmo as dificuldades atrapalharam um estudante da rede pública de ensino do Distrito Federal a realizar um grande sonho. Morador do Sol Nascente e matriculado no Centro de Ensino Médio Ave Branca, em Taguatinga Sul, Lucas Carvalho superou uma série de problemas e foi aprovado em segundo lugar pelo sistema de cotas para o curso de medicina na Universidade de Brasília (UnB).

Tudo começou em 2016, quando, por uma fatalidade, o estudante quebrou o braço. Após passar toda a madrugada em um hospital público juntamente com a mãe, Lucas prometeu que cursaria medicina para ajudar pessoas como ele. “Quebrei o braço e quando entrei no hospital eu falei: estas pessoas precisam de um médico que conheça a realidade delas. Tive de passar a madrugada inteira sentado em uma cadeira e minha mãe em pé. Ver esta realidade e muitas pessoas morrendo na fila é muito triste”, explica o estudante.

Lucas é apenas um de milhares de estudantes da rede pública que anualmente são aprovados em vestibulares nas melhores universidades do país. Apesar da falta de investimento do Governo do Distrito Federal na educação pública, exemplos como o dele mostram que os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais lutam para disponibilizar uma educação de qualidade para os(as) estudantes.

Para a diretora do Sinpro Letícia Montandon, o alto índice de estudantes aprovados em diversas disciplinas das instituições públicas pelo PAS evidencia o comprometimento dos(as) educadores(as), associado às políticas afirmativas, fato que tem gerado mudanças nas universidades. “Hoje, a periferia, o filho do trabalhador, os negros e os índios estão ocupando cursos que até então eram vistos como cursos da elite. Isto prova que mesmo com tetos caindo, com a falta de investimento do governo, sem os educadores terem reajuste salarial há cinco anos, os professores têm se comprometido em dar uma educação de qualidade. Estamos vendo os resultados”, ressalta Letícia.

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