Espetáculo “Sobre Pedras” leva sessões gratuitas a estudantes da Estrutural e duas sessões abertas à comunidade

O espetáculo “Sobre Pedras”, escrito e interpretado pelo ator, dançarino, palhaço e dramaturgo Iury Persan, oferecerá sessões gratuitas a estudantes do Ensino Médio do Centro Educacional 01 da Estrutural e ao público espontâneo. A peça parte do cenário de uma guerra para falar de perdas e recomeços, reunindo teatro de sombras e video mapping, e terá oito sessões entre os dias 27 e 29 de outubro de 2026, no auditório do Espaço Cultural CREAS, sendo seis exclusivas para alunos da escola e duas abertas à comunidade. A iniciativa dialoga com o cotidiano escolar ao propor temas como moradia, família, memória, perdas, desigualdades e o direito de construir um futuro, ampliando o repertório dos jovens por meio da linguagem teatral. Todas as apresentações contam com mediação prévia e, ao final, estudantes, docentes, ator e equipe técnica participam de um debate. Alunos e professores receberão ainda um programa educativo com material didático impresso.

A dramaturgia é conduzida pelo corpo, pelo silêncio, pela sonoridade e por objetos, com recursos visuais como teatro de sombras. A linguagem nasce da pesquisa de Iury Persan sobre a relação entre corpo e espaço, desenvolvida no laboratório cênico da Cia. Carcaça. Na história, depois de um ataque, um homem retorna às ruínas da própria casa e procura a esposa, a filha e a mãe. Entre objetos quebrados, tenta reconstruir não só um espaço físico, mas aquilo que dava sentido à sua vida: imagina pratos sobre uma mesa que já não existe, serve uma refeição, espera pela família. Com restos de brinquedos, monta uma pequena casa. Uma flor vira lembrança do amor; uma antiga canção de ninar traz de volta o acolhimento materno.

Embora o cenário seja o da guerra, a peça dialoga com batalhas do cotidiano, como a perda, a separação, a falta de trabalho, a solidão e a violência. “A trajetória do personagem nos coloca diante de uma pergunta fundamental: o que resta de nós quando perdemos o lugar, as pessoas e as certezas que davam sentido à nossa existência?”, questiona Iury Persan. Para ele, a casa destruída não é apenas o lugar onde a história acontece, mas age sobre o personagem, impõe limites, desperta lembranças e modifica seus movimentos.

O autor ressalva que a experiência do personagem não equivale à realidade dos estudantes: a proposta não é transformar dificuldades sociais em imagens de guerra, e sim despertar perguntas sobre dignidade humana, direito à moradia e vínculos afetivos. “O teatro não precisa explicar aos jovens o que devem pensar; pode oferecer imagens, experiências e perguntas que os ajudem a elaborar suas próprias interpretações”, afirma.

As sessões do dia 28 de outubro, às 10h e às 16h, contarão com acessibilidade em Libras. Ao final, uma pequena casa feita de peças de brinquedo permanece em cena, imagem que, segundo o autor, ajuda a perceber que uma casa é muito mais do que suas paredes e que uma ruína não representa apenas aquilo que foi destruído, mas também aquilo que permanece. O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

Sobre o autor

Iury Persan é ator, dançarino, palhaço e dramaturgo, formado em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília. Estreou no teatro em 2007 e já foi premiado como melhor ator em festivais como o LUPA (2010), o FESTTO, em Teófilo Otoni (2014), e o de Guaçuí (2017). Integrou grupos como Cutucart, Coletiva Teatro e Teatro dos Ventos e levou trabalhos a Chicago (2016), Atenas (2019) e Lisboa (2024). Em 2023, estreou O Homem Raio, que escreve, dirige e interpreta no laboratório cênico Carcaça. Em 2025, integrou o elenco de Um Lapso de Ouro e Vinho, em temporadas nos SESC Presidente Dutra e Paulo Autran e no Espaço H2O, pelo Festival Nacional de Teatro de Bolso, com sucesso de crítica e público.

Serviço

Local: Auditório do Espaço Cultural CREAS, Administração Regional da Cidade Estrutural
Classificação indicativa: 14 anos

Programação:

27 de outubro: sessões às 10h e às 16h (estudantes); às 20h, sessão aberta ao público espontâneo
28 de outubro: sessões às 10h e às 16h, com acessibilidade em Libras (estudantes); às 20h, sessão aberta ao público espontâneo
29 de outubro: sessões às 10h e às 16h (estudantes)
Informações: @c1produtora