Escola Meninos e Meninas do Parque completa 31 anos de resistência e educação humanizada
A Escola Meninos e Meninas do Parque (EMMP) completou 31 anos de resistência em abril. A unidade atende a uma população vulnerável, em sua maioria em situação de rua, e desenvolve um trabalho pautado por uma educação humanizada, emancipatória e freiriana. Confia o álbum de fotos no Facebook do Sinpro no final desta matéria.
Inovadora, a proposta da escola é apostar nos talentos de cada estudante com adaptação do currículo às diretrizes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Secretaria de Estado de Educação (SEEDF). Além disso, a unidade utiliza um método que busca manter um olhar sensível para a história e a trajetória de cada estudante e transforma as vivências em objeto de estudo.
“Comemorar os 31 anos de existência da Escola dos Meninos e Meninas do Parque é comemorar a resistência de uma Educação Freiriana, portanto humanizada, libertadora, dialógica, numa sociedade que a cada dia mais demonstra a necessidade de entender e reconhecer a importância dessa práxis pedagógica para a construção contínua da tão almejada sociedade mais justa e igualitária para todas e todos”, afirma a diretora do Sinpro, Regina Célia Pinheiro.
Em 2021, a escola iniciou o atendimento ao Terceiro Segmento da EJA, que equivale ao Ensino Médio. Essa ampliação foi introduzida porque os(as) adolescentes em situação de vulnerabilidade cresceram e, por suas condições cotidianas, muito específicas, não se adaptaram a outras escolas de atendimento regular. Com isso, além do conhecimento formal, a escola oferece atendimento ao(à) estudante como um todo. Ao chegar à instituição, o(a) estudante toma banho, recebe um conjunto de material de higiene, almoço, assiste televisão e, depois, segue para a sala de aula para o aprendizado formal.
A escola busca parcerias para ampliar as oportunidades oferecidas aos estudantes. Dentre elas, estão o Mesa Brasil e artistas de Brasília. O objetivo é desenvolver ações voltadas para a arte, a cultura e a música. A diretora da escola, Amélia Cristina Araripe (Amelinha), ressalta que a unidade conta com uma importante rede de apoio para desenvolver suas atividades e garantir a gratuidade de eventos destinados aos estudantes.
“Todos os anos, quando cantamos parabéns para a Escola Meninos e Meninas do Parque, fazemos isso como um grito de existência e resistência. Neste aniversário de 31 anos, os estudantes refletiram sobre o que a escola representa em suas vidas e sobre a importância de estarem aqui hoje. Essa foi a nossa grande comemoração”, afirma a diretora da escola.
Ela conta que para além do bolo e da festa, a escola celebra histórias de transformação. “Um estudante de 63 anos nos disse que quer fazer Medicina porque a escola permitiu que ele voltasse a sonhar. Quando comemoramos o aniversário da escola, comemoramos a vida de estudantes que retomaram os estudos, o conhecimento e a esperança. Eles existem, resistem e continuam construindo seus projetos de futuro”.
Amelinha considera a parceria com o Sinpro importante e necessária porque a entidade apoia a escola em suas necessidades e na realização de eventos, como o Circuito de Ciências. Ela destaca também outras parcerias, como o apoio da Associação dos Amigos da Escola Meninos e Meninas do Parque (Amame), que assegura os recursos e as doações da sociedade civil para a realização de eventos que, geralmente, são gratuitos.
A festa junina é um exemplo dessas iniciativas. “A nossa festa junina, por exemplo, só é possível graças a essas parcerias. Embora tenha as tradicionais barraquinhas, os estudantes não pagam nada para participar. Por isso, contamos sempre com o apoio da sociedade civil e de instituições públicas e privadas”, finaliza a diretora.
Confira nas redes sociais do Sinpro as fotos da festa de aniversário da escola.
