Em seminário do Sinpro, educadores e estudantes apontam caminhos para fortalecer a EJAIT
Muitos são os obstáculos que impedem as pessoas de concluírem a educação básica na idade adequada. Maiores ainda são os empecilhos que dificultam o acesso e a permanência de jovens, adultos e idosos trabalhadores quando têm a oportunidade de retomar sua trajetória educacional.
Esses e outros temas foram discutidos no Seminário da EJAIT: Desafios e Perspectivas. O encontro foi realizado pelo Sinpro em parceria com o GTPA – Fórum EJA e o Centro de Cultura e Educação Popular Paulo Freire (Cepafre), na última quarta-feira (10/6). O objetivo foi compreender a realidade do segmento de ensino e construir coletivamente estratégias de luta para seu fortalecimento.
Nesse sentido, a discussão teve como ponto de partida a perspectiva de quem está no chão das escolas todos os dias: educadores(as) e educandos(as). Participaram também sindicalistas e representantes de movimentos sociais. Para viabilizar a escuta de todos(as), os participantes foram divididos em 11 grupos de trabalho, onde puderam compartilhar experiências e apresentar propostas de melhorias da EJAIT no DF.
“Não é possível discutir o futuro da EJAIT sem ouvir quem constrói essa modalidade todos os dias. O seminário foi pensado justamente para garantir espaço de fala aos(às) educadores(as) e educandos(as), identificar os principais desafios e transformar essas contribuições em ações concretas de luta em defesa da EJAIT”, afirmou a diretora do Sinpro Ana Bonina.
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EJAIT sob ataque
Sob a gestão Celina-Ibaneis, a EJAIT no DF vive uma das piores crises nas últimas décadas. Em vez de adotar políticas de resgate da alfabetização e da permanência de estudantes na modalidade, o governo apostou no fechamento de salas de aula e no esvaziamento da garantia do direito à educação para todos(as).
Entre os principais desafios apontados no seminário estão a falta de recursos e de materiais didáticos, a insegurança dentro e fora das escolas, a necessidade de salas de acolhimento para os(as) filhos(as) dos(as) estudantes, melhorias no transporte público e na iluminação, além de formação específica para professores(as) da EJAIT. O documento com a consolidação dos encaminhamentos será disponibilizado em breve.
Os grupos destacaram ainda a importância da universalização do Pé-de-Meia, como incentivo para permanência dos(as) estudantes. O benefício do governo federal é concedido a estudantes matriculados no ensino médio de escolas públicas com idade entre 14 e 24 anos. Para estudantes da EJAIT, é necessário ter de 19 a 24 anos.
“Todos esses pontos levantados interferem diretamente no acesso e na permanência dos(as) estudantes na escola. Por isso, é fundamental que o poder público desenvolva políticas específicas para a EJAIT, garantindo condições para que jovens, adultos e idosos trabalhadores(as) não apenas ingressem, mas consigam permanecer e concluir sua trajetória educacional com dignidade”, pontuou Ana Bonina.
EJAIT transforma vidas
A diretora do Sinpro Márcia Gilda, que foi estudante e, anos depois, tornou-se professora da EJAIT, destacou a importância da modalidade para garantir o direito à educação e transformar trajetórias de vida.
“A EJAIT representa oportunidade, inclusão e transformação social. Eu vivenciei essa modalidade e sei o quanto ela pode mudar vidas. Por isso, é fundamental ampliar os investimentos e fortalecer a EJAIT como uma política pública permanente. E a construção coletiva é o caminho para isso”, afirmou Márcia Gilda.
A diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) Rosilene Corrêa reforçou o caráter transformador da EJAIT e a responsabilidade do Estado na garantia do direito à educação.
“A educação transforma vidas e é um direito de todas as pessoas. Quem não teve acesso à escola na idade adequada não tem uma dívida com a educação; essa dívida é do Estado, que falhou em garantir esse direito. Por isso, é fundamental fortalecer a EJAIT e ampliar as oportunidades para que jovens, adultos e idosos possam retomar seus estudos. Nunca é tarde para aprender, sonhar e construir novos caminhos. Toda hora é hora de voltar para a escola”, afirmou Rosilene Corrêa.
Mostra Paulo Freire
O Seminário da EJAIT também marcou o encerramento da Mostra Paulo Freire: ontem, hoje e amanhã. A exposição ocupou o saguão da sede do Sinpro e celebrou o legado do patrono da educação brasileira e do DF, destacando sua pedagogia libertadora e a aplicação prática de seu método.
A iniciativa foi realizada em parceria com o Centro de Cultura e Educação Popular Paulo Freire (Cepafre) e com o apoio do Comitê Popular Padre Antônio. A mostra também foi apresentada na Câmara Legislativa do DF em 2025 e chegou ao Sinpro ampliada.
“Agradeço ao Sinpro por abrir suas portas para essa exposição e por ser uma entidade que organiza, mobiliza e fortalece a luta em defesa da educação pública. A EJA é um direito, mas não pode ser de qualquer jeito”, afirmou Madalena Torres do Capafre.
Para Maria Luiza Pereira, do GTPA-Fórum EJA, a educação é um direito garantido pela Constituição e cabe ao Estado assegurar que ele seja efetivamente cumprido.
“No Distrito Federal, milhares de pessoas não concluíram a educação básica. Esses cidadãos e cidadãs têm o direito de retomar seus estudos, e o poder público tem o dever de criar as condições necessárias para que isso aconteça. Por isso, é tão importante essa inciativa do Sinpro”

