EDITORIAL | GDF recua no Gisno, mas impõe intervenção em escolas que rejeitaram a militarização

O Governo do Distrito Federal (GDF) só respeitou a decisão do Centro Educacional Gisno, da Asa Norte, de não ter militarização em sua gestão porque a questão foi judicializada e, mais do que isso, houve forte pressão da comunidade escolar.

A disputa entre o querer da comunidade escolar e o do governo Ibaneis trouxe vários prejuízos que vão do bullying à clientela da unidade escolar até a queda do ex-secretário de Estado de Educação, Rafael Parente, que declarou à imprensa não ser sensato o governo Ibaneis impor a militarização em escolas que não desejam ter esse tipo de gestão em sua rotina.

Essa desistência deveria valer para todas as escolas que rejeitaram a intervenção da Polícia Militar (PM). Se no Gisno a vitória é da democracia, no Centro Educacional (CEF) 407, da Samambaia, o governador insiste em atropelar a decisão da comunidade escolar.

Para justificar essa imposição, usa o crime que ocorreu perto do CEF 407 de Samambaia, no dia 19/8, por falta de patrulhamento da PM nas ruas, como desculpa. E ainda vai à imprensa dizer que, “após a facada ocorrida do lado de fora do CEF 407, ‘pessoas’ da comunidade pediram a militarização”.

Vale lembrar, que dois dias depois da facada no 407, em dia 21 de agosto, um estudante foi esfaqueado na porta do CED 07 de Ceilândia, uma escola militarizada desde fevereiro deste ano. Os mais de 20 PM que estavam dentro da escola interferindo na gestão democrática não foram capazes de cumprir seu dever de evitar o crime.

Essa é a prova de que a militarização de escolas não resolve o problema da violência social e que isso é desculpa para os governos Ibaneis e Bolsonaro darem prosseguimento à privatização da educação. O governador deveria se desvencilhar do governo federal o quanto antes e respeitar as decisões do 407 da Samambaia, do Condomínio Estância III, de Planaltina, e do CEF 1 do Núcleo Bandeirante.

 “TEM DE IMPOR” – O problema é que a falta de respeito começa a 6,5 km do Palácio do Buriti: no Palácio do Planalto. No lançamento do programa do Ministério da Educação (MEC) de militarização de escolas públicas do país, no dia 5, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) mandou Ibaneis impor a militarização.

“O conselho foi dado depois de o GDF ter desistido de adotar a gestão militarizada do Gisno da Asa Norte”, diz a imprensa. Importante destacar que essas atitudes autoritárias, a má gestão, a entrega do patrimônio e riquezas do país e outros comportamentos antiprofissionais, antidemocráticos, não condizentes com os de um Presidente da República, levou Bolsonaro a chegar ao 8º mês de governo com uma rejeição assustadora.

Hoje as pesquisas de opinião mostram que o índice de rejeição é gigantesco e que se as eleições fossem hoje ele não seria eleito nem no primeiro à Presidência da República. Informações do site 247 dão conta de que “a reprovação pessoal de Bolsonaro subiu de 33% para 38% no Datafolha, enquanto na pesquisa CNT/MDA ela foi de 28,2% para 57%. Já a Vox Poppuli mostrou uma oscilação de 28% para 44% de pessoas dizendo “não gostar” do presidente. Na XP/Ipespe, a opinião negativa sobre Bolsonaro subiu de 26% para 33%”.

 

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