Dia do Cerrado traz alerta sobre o bioma 'esquecido' do Brasil


Segundo maior bioma do Brasil, cobrindo uma área que originalmente ultrapassava os 2 milhões de quilômetros quadrados, ou cerca de um quinto do território nacional, o Cerrado também é o segundo mais degradado do país. Mas mesmo tendo perdido cerca de 60% de sua cobertura original, em especial nas últimas décadas devido ao avanço da agricultura, o Cerrado ainda é muito pouco monitorado, e menos protegido, do que a grandiosa, e icônica, Amazônia, e a agonizante, e recordista em degradação, Mata Atlântica.
Um exemplo disso é que apenas recentemente o Ministério do Meio Ambiente (MMA) começou a divulgar, ainda que timidamente, números sobre o desmatamento no Cerrado nos moldes que faz com a Amazônia há quase 30 anos por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). E os primeiros resultados deste “Prodes do Cerrado” não são nada bons. Segundo os dados do MMA, em 2015, último ano para o qual há informações dos dois biomas, enquanto a área desmatada na Amazônia ficou em cerca de 6,2 mil quilômetros quadrados, no Cerrado a destruição foi mais de 50% superior, beirando os 9,5 mil quilômetros quadrados.
— Na assinatura da Constituição da 1988, a Mata Atlântica, a Amazônia e o Pantanal foram decretados patrimônios naturais. O Cerrado foi excluído, e há um projeto de lei que tramita há 25 anos para que o bioma consiga a mesma classificação — lembra Júlio César Sampaio, Coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil. — Muitas pessoas acreditam que esta é uma localidade pobre, formada apenas por mato e árvores retorcidas, mas 30% da biodiversidade brasileira está no Cerrado.
Assim, é sob a “sombra” dos outros biomas brasileiros mais “famosos” que diversas organizações ambientalistas estão aproveitando esta segunda-feira, Dia Nacional do Cerrado, para alertar sobre as crescentes ameaças que ele enfrenta e a necessidade de agir rápido para proteger o que resta do Cerrado.

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