Dia 29 de janeiro é data para transpor as barreiras do preconceito

A mudança de mentalidade das sociedades sobre pessoas LGBTQi+ já está em curso. Independentemente da idade, quem está conectado com o mundo do conhecimento, com a Internet, as mídias eletrônicas etc. já vive, dentro de si, essa transformação. Contudo, a metamorfose conceitual ocorre a passos muito lentos e não acompanha a velocidade estabelecida pela era da informação.

O respeito à sexualidade e ao gênero escolhidos pelo(a) outro(a) tem sido um processo doloroso e violento. A consciência desse respeito depende de políticas públicas e de outras ações estatais para se materializar, internamente, em cada um(a), e, externamente, nas relações sociais. O dia 29 de janeiro, Dia Nacional da Visibilidade Trans, é uma data criada, em 2004, para isso: Promover, na consciência popular, o respeito à identidade de gênero e à diversidade sexual da humanidade.

“A data foi criada porque a sociedade busca invisibilizar as pessoas transexuais. Mais de 90% desse segmento trabalha na informalidade. Enfrenta imensa dificuldade para acessar o mundo do trabalho, a educação superior e tudo o mais que elas querem ser. Há enormes barreiras criadas pela sociedade e instituições fundamentalistas que impedem essa população de ser incluída socialmente”, afirma Márcia Gilda Moreira Cosme, diretora da Secretaria para Assuntos de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF.

Ela ressalta também que, ainda mais grave do que a sistemática exclusão desse grupo social, há uma perseguição estrutural, desequilibrada e doentiamente obsessiva contra essa população. “Temos um histórico nacional das estatísticas de violência alarmantes contra LGBTQi+, com destaque para as pessoas trans e travestis assassinadas por causa de sua identidade de gênero. A expectativa de vida de uma pessoa trans é de 30 anos, enquanto a dos demais brasileiros é de 70, dependendo da região do País”, informa.

IMPORTÂNCIA DA ESCOLA NA CONSOLIDAÇÃO DO NOME SOCIAL
A diretoria colegiada do Sinpro-DF alerta para a necessidade de se dizer não ao preconceito fundamentalista, a aceitar e a conviver com a diversidade. Das centenas e até das milhares de formas de respeito ao(à) outro(a), destaca-se o respeito ao nome social e à identidade de gênero, que estão no princípio de qualquer relação social justa.

O Dia Nacional da Visibilidade Trans pauta o debate sobre tudo isso e convida a sociedade a transpor as barreiras do preconceito e da intolerância fundamentalista para abrir sua consciência ao acolhimento e à inclusão, bem como os espaços públicos, econômicos e de poder ao respeito, à visibilidade, à inclusão, à dignidade, à autonomia, à igualdade.

Tudo isso pode começar pela aceitação, naturalização e respeito ao nome pelo qual uma pessoa é chamada e seu respectivo pronome. Essa mudança de consciência que busca uma sociedade mais justa, igualitária e pacífica deve ocorrer dentro de casa, no ambiente familiar; nas instituições públicas e privadas; e nas escolas. No Estado de Pernambuco, por exemplo, o número de estudantes trans e travestis usando nome social no ambiente escolar da rede pública de ensino dobrou entre 2017 e 2019.

Já em Santa Catarina, a população LGBTQi+ luta para que o estado respeite essa conquista social e estabeleça leis que assegurem a identidade de gênero. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) iniciou o janeiro de 2020 com uma campanha UFSC Diversifica pedindo respeito no uso do nome social.

Esse nome no ambiente escolar é essencial para se ter justiça social, ambientes pacíficos e a prova do amadurecimento de uma sociedade que busca evoluir no acolhimento de pessoas historicamente excluídas do processo educacional por causa da identidade de gênero. Ser chamado pelo nome com o qual nos identificamos é revolucionário.

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