Debate do Sinpro reúne sete candidatos ao GDF para discutir futuro da educação pública
Terminou às 23h desta segunda-feira (21/9) o primeiro debate promovido pelo Sinpro com candidatos e candidatas ao Governo do Distrito Federal (GDF). Realizado no Auditório Paulo Freire, na sede do sindicato no SIG, o encontro reuniu sete dos 11 registros de candidaturas convidadas e colocou a educação pública e a pauta de reivindicações dos professores e orientadores educacionais no centro da discussão sobre os projetos eleitorais para o Distrito Federal nos próximos 4 anos.
A valorização dos profissionais do magistério, a contratação temporária e a necessidade de realização de novos concursos públicos estiveram entre os principais pontos de discutidos durante o debate. As candidaturas criticaram o governo Celina-Ibaneis e apresentaram propostas distintas para recompor o quadro efetivo da rede, educação inclusiva, criticaram EducaDF, militarização, desvalorização salarial, Escola Sem Partido, adoecimento da categoria e outras questões que estão no cotidiano da categoria.
A crise envolvendo o BRB e o Banco Master também marcou o debate com os candidatos sendo questionados sobre os impactos do episódio para as políticas públicas do Distrito Federal. Compromissos com o fortalecimento da rede pública também marcaram a discussão entre os candidatos. O auge da discussão foi a sexta das setes perguntas do Sinpro sobre as razões do adoecimento da categoria. Na última pergunta do sindicato, o destaque foi a Meta 17 e o comprometimento pelos candidatos da recomposição de salário e equiparação com outras categorias de mesma escolaridade.
As perguntas das entidades também esquentaram o debate. O Centro de Educação Paulo Freire (Cepafre) iniciou o terceiro bloco perguntando sobre o intenso esvaziamento da Educação de Jovens, Adultos e Idosos Trabalhadores (EJAIT). A União dos Estudantes Secundaristas do Distrito Federal (UESDF), com o estudante Mateus Soares, perguntou sobre que medidas os pretendentes ao cargo de governador teriam para a infraestrutura escolar e para a valorização do magistério. O representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Cláudio Antunes, por sua vez, perguntou sobre o atendimento das leis relacionadas à categoria, como o PDE (Meta 17) e outras leis, com a do plano de carreira, que vêm sendo descumpridas sistematicamente. Rodrigo Rodrigues, representante da CUT-DF, indagou sobre as soluções para a falta de vaga e defasagem de escolas de tempo integral e creches públicas.
A representante da Seção Sindical da Universidade do Distrito Federal (UnDF), Kíssila Teixeira Mendes, fez um relato da profunda crise que a universidade tem atravessado no governo Celina-Ibaneis e perguntou sobre que providência os pretendentes ao GDF irão tomar para assegurar a consolidação e a expansão da instituição. Edileuza Fernandes, representante do Observatório de Educação Básica (ObsEB) da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), perguntou em quanto tempo o candidato poderia resolver o problema da defasagem salarial, a aplicação da Meta 17 e a equiparação com as demais categorias de nível superior. A representante do Sindicato dos Auxiliares da Educação (SAE), Emanuele, perguntou sobre quais propostas para a reestruturação da carreira, recomposição salarial e valorização da carreira do PPGE.
Confira no vídeo o debate:
O debate foi uma oportunidade de candidaturas que não aparecem na grande mídia apresentarem seus posicionamentos e propostas sobre a prioridade dos recursos públicos para a educação. Participaram do debate os candidatos José Roberto Arruda (PSD), Ricardo Cappelli (PSB), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Professor Robson (PSTU) e Professora Samara Mineiro (UP). Além da candidata Celina Leão (PP), não participaram do debate Elisson (AGIR), Expedito (PCO), Rico Pinheiro (PRTB).
Apresentado e mediado pelos diretores do Sinpro Márcia Gilda e Samuel Fernandes, o encontro marcou a primeira vez que o sindicato promoveu um debate com candidatos ao GDF. A iniciativa buscou colocar no centro da agenda eleitoral a defesa de uma educação pública, gratuita, laica, democrática, inclusiva e socialmente referenciada, além de ouvir das candidaturas compromissos e propostas para a educação e para os profissionais do magistério.
Na opinião de Márcia Gilda, o debate foi decisivo porque colocou no centro da pauta eleitoral e da escolha da categoria os candidatos e candidatas que defendem a educação pública do DF. “A organização desse debate se configurou como um grande desafio do Sinpro porque ele materializa o nosso intuito e grande desejo de contribuir para que a categoria, a partir desse debate, que coloca a educação no centro, possa ter condições reais de fazer a escolha do seu candidato porque essa escolha irá mudar os próximos 4 anos da nossa vida. A educação é um dos maiores segmentos de servidores públicos e é o segmento que atende a toda a população e são mais de 450 mil estudantes, movimenta agricultura familiar, terceirizados, comunidades escolares. A educação muda vidas se a gente só consegue mudar vidas com políticas públicas que valorizem a educação”, disse.
O diretor do Sinpro, Samuel Fernandes, foi um dos apresentadores do debate. Na opinião dele, foi um debate muito importante porque o sindicato conseguiu colocar a educação pública no centro da discussão sobre o futuro do DF. “O que esperamos agora é que os candidatos não apresentem apenas promessas, mas assumam compromissos concretos com a valorização dos profissionais da educação, melhores condições de trabalho, redução da precarização e melhoria salarial. A educação precisa deixar de ser tratada como discurso de campanha e passar a ser prioridade efetiva de governo. O Sinpro cumpriu seu papel ao abrir esse espaço de diálogo e, a partir de agora, vamos acompanhar e cobrar cada compromisso assumido”, disse Fernandes.
“Foi uma ideia inocente surgida no início de setembro, que cresceu e se tornou um evento muito bem-sucedido. Conseguimos demonstrar à sociedade do Distrito Federal nosso compromisso democrático, sereno e racional com a educação pública laica, gratuita, inclusiva, libertadora, de qualidade socialmente referenciada”, disse a coordenadora da Secretaria de Imprensa do Sinpro, Ana Bonina.
Uma das diretoras responsáveis pela realização do evento, Bonina também afirmou que “com este evento, demonstramos aos candidatos e às candidatas o protagonismo da nossa entidade na sociedade democrática e, à nossa categoria, demonstramos, mais uma vez, que a união, a organização e a mobilização fazem a diferença para a construção do diálogo e de uma sociedade mais justa: hoje o Sinpro está de parabéns, hoje a categoria do magistério está de parabéns”.
Regras e dinâmica do debate
O debate foi dividido em cinco blocos, conforme regras previamente apresentadas às candidaturas. O primeiro foi destinado à apresentação dos candidatos. No segundo, o Sinpro fez perguntas aos participantes, com respostas, réplicas, tréplicas e comentários. O terceiro teve perguntas de entidades ligadas à educação. Nesse bloco, a CUT-DF foi representada por Rodrigo Rodrigues; o SAE por Emanuele; a UESDF por Mateus Alexandre Soares, o Cepafre por Madalena Torres, a CNTE por Cláudio Antunes, o Observatório da UnB por Edileuza Fernandes e a UNDF por Kíssila Teixeira. No quarto bloco, os próprios candidatos fizeram perguntas uns aos outros, com respostas, réplicas e tréplicas. O quinto e último bloco foi reservado às considerações finais. A ordem de participação nos blocos foi definida por sorteio.
Educação pública no centro do debate
No bloco de perguntas do Sinpro, os candidatos foram questionados sobre sete temas diretamente relacionados à realidade da rede pública de ensino, como condições de trabalho; valorização salarial e Meta 17 do Plano Distrital de Educação; educação especial inclusiva; contratação temporária e concursos públicos; saúde dos trabalhadores da educação; financiamento da educação; e gestão democrática.
As perguntas partiram de problemas concretos enfrentados nas escolas e buscaram conhecer as medidas que cada candidatura pretende adotar caso seja eleita.
Condições de trabalho
O sindicato questionou os candidatos sobre problemas como superlotação das salas de aula, falta de acessibilidade, ausência de quadras poliesportivas, inadequação do mobiliário e dos espaços físicos e inconsistências no sistema EducaDF.
Valorização salarial e Meta 17
A valorização do magistério foi outro tema central. O Sinpro apresentou a Meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE), que estabelece como referência para o salário-base do magistério a média das remunerações das carreiras de nível superior, e perguntou às candidaturas como pretendem alcançar esse objetivo.
Educação especial inclusiva
As candidaturas foram questionadas sobre as condições necessárias para garantir acesso, permanência, participação e aprendizagem dos estudantes da educação especial, incluindo acessibilidade, monitores, salas adaptadas, equipes multidisciplinares, formação permanente e Salas de Recursos Multifuncionais.
Contratação temporária e concurso público
O crescimento da contratação temporária e a necessidade de recomposição do quadro efetivo foram levados ao debate. O Sinpro apresentou dados sobre o aumento do número de temporários na rede e destacou a necessidade de novos concursos públicos e da nomeação dos aprovados.
Saúde dos trabalhadores da educação
O adoecimento dos profissionais do magistério foi outro tema abordado. O sindicato apresentou dados da SubSaúde e questionou as candidaturas sobre políticas de prevenção e enfrentamento do adoecimento relacionado às condições de trabalho.
Financiamento da educação
O debate também tratou do financiamento da educação pública, da evolução da arrecadação do Distrito Federal e da destinação de recursos para a área. O Sinpro relacionou ainda o tema à crise envolvendo o BRB e o Banco Master e questionou os candidatos sobre como pretendem assegurar prioridade à educação.
Gestão democrática
A gestão democrática da educação pública encerrou os temas específicos apresentados pelo Sinpro-DF. Os candidatos foram questionados sobre eleição direta para diretores, conselhos escolares, participação da comunidade escolar e a manutenção e o fortalecimento dessa política no Distrito Federal.
Debate amplia discussão sobre educação
Com participação de entidades ligadas à educação e blocos de perguntas entre os próprios candidatos, com respostas, comentários, réplicas e tréplicas, conforme as regras estabelecidas, o Sinpro amplia a discussão sobre educação pública e a coloca no centro do debate eleitoral.
Nas considerações finais, os candidatos apresentaram suas últimas manifestações e propostas. Ao promover o debate, o Sinpro reafirmou o compromisso com a democracia, a educação pública e a valorização dos profissionais do magistério e colocou a educação no centro da agenda eleitoral do Distrito Federal.
