CUT repudia violência da PM; sem terras denunciam prisões e maus tratos

CUT Brasília repudia ação truculenta da Polícia Militar do DF contra trabalhadoras sem terras e crianças em pleno Dia Internacional da Mulher e a prisão de três trabalhadores por tentar proteger seus familiares da violência policial e por participar de manifestação por direitos e agilização da reforma agrária. As lideranças dos trabalhadores denunciam maus tratos na delegacia aos três sem terra que, ao contrário do que se informou na noite de terça, não foram libertados ainda.
Os trabalhadores sem terra são ligados à Frente Nacional de Luta Cidade e Campo (FNL). Eles ocuparam o prédio da Terracap nessa terça-feira (8) para pressionar o governo Rollemberg a cumprir promessas de moradia e de melhorias de serviços a milhares de famílias acampadas nas Rodovias próximas à Brasília. A PM invadiu o local e lançou spray de pimenta em mulheres e crianças desarmadas do movimento, ameaçando ainda recolher os menores ao conselho tutelar.
De acordo com a FNL, no momento da ação da Polícia, só havia mulheres e crianças dentro do local. Os homens estavam do lado de fora. Os trabalhadores tentaram dialogar com a PM, para evitar conflitos. Porém, os policias se mantiveram intransigentes. Resultado disto foi a ação truculenta e a prisão dos três trabalhadores que foram acudir seus parentes e suas colegas.
Enquanto o horror tomava conta na Terracap, dirigentes da FNL estavam em negociação com secretários do GDF no Buriti. Ao serem informados dos acontecimentos na reunião, as lideranças dos sem terra exigiram a libertação dos trabalhadores presos. Segundo relata o dirigente da FNL, Carlos Lopes, o subsecretário de Movimentos Sociais, Acelino Ribeiro, prometeu a liberação. “Mas formos enganados. Só soubemos depois que desocupamos a Terracap”.
“Quando chegamos à delegacia, o que nós presenciamos foi revoltante. Os trabalhadores haviam sido agredidos e estavam nus na cela da delegacia. Eles nos contaram com tristeza que foram torturados. Policias jogaram água gelada sobre eles e os humilharam. As cenas me lembraram o que acontecia com militantes e trabalhadores na Ditadura Militar”, avaliou o dirigente”, informou Carlos, responsabilizando o governo Rollemberg pelos acontecimentos.
“Que governo é esse que enquanto negocia, manda a Polícia agredir e prender trabalhadores?” questiona o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.  “É um absurdo queo governo permita que a Polícia use de violência contra mulheres e não faça nada. E isso aconteceu em pleno Dia Internacional da Mulher. Foi revoltante ver crianças chorando, mulheres gritando por justiça e serem ainda mais maltratadas. Esperamos que o governo Rollemberg tome as devidas providências e cumpra com sua palavra com a FNL”, cobrou Rodrigo Britto (veja vídeo). O presidente da CUT cobra que o governador efetivamente governe, sem dissimulação e com efetivo comando sobre a Polícia.
O principal impasse do movimento dos trabalhadores sem terra com o GDF é a “falta de vontade política” do governo para viabilizar terras para programa de construção de moradias populares. Ano passado o governo federal se comprometeu a liberar verba para a construção das moradias, porém isso só será possível quando o GDF liberar área. As moradias podem beneficiar cinco mil famílias que moram às margens das principais rodovias do Distrito Federal.

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