CUT celebra 43 anos de luta, resistência e conquistas
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) se consolidou como um dos principais pilares de organização e defesa da classe trabalhadora no Brasil. Nesse período de lutas, resistência e conquistas, a entidade mantém vivas pautas históricas e as atualiza diante dos desafios do presente. Nesta sexta-feira (28), ao completar 43 anos de fundação, a CUT lidera, por exemplo, uma luta histórica que toca a vida de milhões de trabalhadoras e trabalhadores: o fim da escala 6×1, a redução da jornada para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial.
Essa pauta recoloca no centro do debate uma questão histórica do movimento sindical: como garantir uma jornada de trabalho que preserve o direito ao descanso, à convivência familiar, ao lazer e às demais dimensões da vida?
“Os trabalhadores e trabalhadoras têm direito de dispor de seu próprio tempo, de dedicá-lo às atividades que bem entenderem, sem tê-lo integralmente consumido pelo trabalho”, afirma Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF. “Como em todas as vitórias que conquistamos na história, essa também será produto de muita luta”, completa.
Outras frentes de mobilizações consagradas na luta da Central continuam como destaques na trajetória da entidade, como valorização permanente do salário-mínimo, ampliação da negociação coletiva, fortalecimento dos serviços públicos, defesa da Previdência e Assistência sociais públicas e da aposentadoria, justiça tributária com taxação dos super-ricos. A entidade incorporou também novos desafios advindos das transformações no mundo do trabalho, como a regulamentação do trabalho por aplicativos, o combate à pejotização, a proteção dos trabalhadores diante do avanço da Inteligência Artificial (IA) e a regulamentação da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que reconhece o direito das pessoas de conviverem num ambiente de trabalho livre de violência e de todo tipo de assédio.
As lutas da Central revelam uma entidade que chega aos 43 anos firme em suas bandeiras históricas e, ao mesmo tempo, capaz de atualizar sua agenda diante das transformações nas relações de trabalho e das novas demandas da classe trabalhadora. Mais do que uma data simbólica, o aniversário da CUT representa uma trajetória de resistência e de conquistas de uma entidade que se consolidou como a principal força sindical da América Latina e uma das mais importantes do mundo.
Histórico
Fundada em 28 de agosto de 1983, como instrumento de resistência ao regime militar, a CUT nasceu da coragem de operários, líderes sindicais, intelectuais e militantes populares que ousaram sonhar com um Brasil mais justo, democrático e soberano. Enfrentou as mais variadas e inusitadas formas de opressão, desde o regime militar até as tentativas de golpe de Estado e as contrarreformas constitucionais que tentaram desmontar o Estado democrático de direito e de bem-estar social, bem como os direitos trabalhistas duramente conquistados.
A CUT esteve na liderança de todas as grandes lutas nacionais: redemocratização e fim da ditadura militar, eleições diretas, Assembleia Nacional Constituinte e promulgação da Constituição Cidadã de 1988. Foi a CUT que organizou as maiores greves gerais da história do Brasil e da América Latina, e colocou a trabalhadora e o trabalhador no centro do debate político. Ajudou a estabelecer a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como patrimônio nacional.
Mais de 40 anos de uma história marcada por avanços e retrocessos, mas jamais por recuos em seus princípios. Ao longo dessa trajetória, a CUT se consolidou como uma das principais referências de organização da classe trabalhadora, mantendo-se firme na defesa do trabalho como vetor de dignidade, da democracia como valor intransigível e da justiça social como horizonte inegociável. É justamente essa trajetória de lutas que ganha ainda mais significado no presente.
Neste momento em que o país enfrena os desafios da reconstrução econômica e social após os anos dos governos Temer e Bolsonaro, a unidade da classe trabalhadora se mostra mais necessária do que nunca. No ano eleitoral de 2026, em que propostas e projetos distintos estão em disputa, entram em cena as forças políticas que defendem a demolição completa da legislação trabalhista. É o caso do Partido Missão, que tem entre suas principais propostas o fim da CLT. Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, se posiciona contra a jornada de trabalho 6X1, e articula nos bastidores para que a PEC que estabelece a escala 5×2 como padrão não seja votada.
É neste cenário que o Sinpro reafirma, com orgulho, ser parte da construção coletiva da CUT no Distrito Federal e das lutas que a entidade protagoniza em sua história. Parabenizar a Central pelos seus 43 anos é reconhecer uma trajetória de conquistas, celebrar a resistência do presente e reafirmar o compromisso com um futuro em que direitos não sejam privilégios, mas garantias para todas e todos.
Viva a CUT! Viva o Sinpro! Viva as trabalhadoras e os trabalhadores do Brasil!
Edição: Maria Carla
