Comunidade vai à luta contra fechamento do PS do Hospital do Gama

A importância que teve o SUS – Sistema Único de Saúde – para o combate à pandemia da covid-19 no Brasil é notória. O fato de haver um sistema público integrado tornou menos difícil o tratamento dos pacientes, bem como a organização do processo de vacinação – mesmo com todo o boicote promovido pelo governo federal. Sem o SUS, a tragédia da covid-19 no Brasil teria sido ainda maior.

Mesmo assim, durante todo esse período, faltaram medicamentos, insumos e estrutura para os hospitais públicos poderem oferecer o seu melhor. Profissionais de saúde se desdobraram em vários para poder atender a demanda, que, como lembramos, foi tão grande que chegou a colapsar hospitais e sistemas de saúde.

Passado o auge da pandemia, os hospitais continuam tendo dificuldade para funcionar como deveriam, e os recursos reduzidos, sobretudo em consequência da PEC do teto de gastos, geram um processo de estrangulamento do sistema. De acordo com a coluna do jornalista Carlos Madeiro no portal UOL nesta segunda-feira, 9 de maio, o número médio de procedimentos ambulatoriais por habitante caiu 12% entre 2015 e 2019, sugerindo uma relação direta com a redução do orçamento. Se comparados dados de 2020 e 2021, a queda em relação a 2015 é ainda maior, e chega a 26%.

Hospital Regional do Gama

No DF, a situação também é dramática. É nesse contexto em que o Hospital Regional do Gama (HRG) vive a ameaça de ver seu pronto-socorro fechado por falta de condições de trabalho.

Em vistoria ao pronto-socorro do HRG, o Conselho Regional de Medicina (CRM) apontou diversas irregularidades no seu funcionamento, referentes, sobretudo, às condições de trabalho dos profissionais de saúde no local. De acordo com o blog Gama Livre, faltam médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, profissionais de enfermagem, equipamentos e medicamentos. Sem que essas irregularidades sejam sanadas, o pronto-socorro terá que fechar as portas.

Para defender o hospital e exigir que o GDF tome as devidas providências, a comunidade do Gama realizou um ato público de abraço ao HRG na última sexta-feira, 6 de maio. A reivindicação é de que as irregularidades apontadas pelo CRM sejam sanadas, e o funcionamento do pronto-socorro seja garantido. Uma nova vistoria do Conselho está prevista para o início desta semana.

Segundo Enóquio Sousa Rocha, professor da Secretaria de Educação e presidente do Conselho de Saúde do Gama, a expectativa é que as providências tenham sido tomadas dentro do prazo. “O fechamento desse pronto-socorro prejudica a comunidade do Gama e os pronto-socorros de outras regiões, que terão sua demanda aumentada, gerando um efeito dominó”, afirma Enóquio. “Estamos na luta para defender o HRG e, assim, também defender o SUS”, diz ele.

O diretor do Sinpro Raimundo Kamir acompanhou a mobilização: “Mais uma vez a população gamense se reúne para defender o SUS, agora para garantir o funcionamento do pronto socorro do HRG”, disse ele.