Por um Congresso Nacional alinhado com o perfil e os interesses do povo brasileiro
Em um Congresso Nacional com predomínio de empresários e latifundiários, dificilmente pautas populares prosperarão. Os interesses do capital conflitam com as demandas da população por políticas públicas, e esse conflito se traduz na disputa do orçamento público.
Salários dignos, acesso à moradia, acesso e permanência no sistema educacional, saúde pública de qualidade, políticas de inclusão, trabalho decente, tudo isso não é de interesse de quem atua para ampliar lucros que se encontram no mercado. A disputa do orçamento tem tudo a ver com isso, e com o binômio política pública x privatização.
O cenário atual é, então, preocupante. Na população brasileira, a soma dos empregadores do país (urbanos e rurais) representa menos de 5% da população ocupada (PNAD Contínua/IBGE), ao passo que, no campo, menos de 1% dos proprietários de terras concentra quase a metade de toda a área agricultável (Censo Agropecuário/IBGE).
No entanto, no Legislativo, essas elites exercem controle hegemônico: a bancada do agronegócio representa cerca de 58% de toda a Câmara e do Senado e, somada à bancada empresarial urbana monitorada pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), garante aos setores patronais o controle de mais de 60% dos votos nas principais decisões do Congresso.
Em contrapartida, trabalhadores assalariados, informais e agricultores familiares — que somam mais de 90% da força de trabalho — ocupam menos de 8% das cadeiras.
Diversidade
Acrescente-se que a diversidade do Brasil é subestimada e sub-representada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Basta notar que as mulheres, que são mais da metade da população brasileira, são somente 17,7% da Câmara e 19,8% do Senado. As pessoas negras representam aproximadamente 56% dos habitantes do nosso país, mas, na Câmara Federal não passam de 26,3%, e no Senado, de 27%.
Portanto, temos um Congresso Nacional majoritariamente homem, branco e rico. Será que o Brasil consegue se enxergar nesse perfil? Que tipo de leis um parlamento comandado por interesses empresariais e do latifúndio pode produzir? Quais as políticas públicas que ele vai priorizar e aprovar?
Se o Congresso Nacional efetivamente expressar a pluralidade que o Brasil tem como característica fundamental, certamente, pautas populares ganharão destaque correspondente à sua importância. Nas eleições gerais de 2026, o país tem uma nova oportunidade de compor uma Câmara dos Deputados e um Senado Federal mais sintonizados com as necessidades do povo brasileiro.
