Com participação da CUT, missão aos EUA reforça defesa da democracia brasileira

A CUT integrou, de 20 a 23 de julho, uma comitiva de organizações da sociedade civil brasileira que viajou aos Estados Unidos com a missão de defender a soberania nacional, a integridade do processo eleitoral brasileiro e o respeito ao Estado Democrático de Direito diante das eleições presidenciais de 2026.
A delegação, organizada pelo Washington Brazil Office (WBO), reuniu representantes de 15 entidades que cumpriram agendas em Washington e Nova York. Durante a missão, foram realizados encontros com parlamentares norte-americanos, dirigentes sindicais, diplomatas, representantes de organismos internacionais, organizações da sociedade civil e centros de pesquisa para defender a soberania brasileira, a confiabilidade do sistema eleitoral e o respeito ao processo democrático diante das eleições de 2026.
“Foi um trabalho para mostrar a realidade do Brasil e fortalecer a compreensão sobre a segurança do nosso sistema eleitoral, a maturidade da democracia brasileira e a importância de respeitar a soberania do nosso país”, afirmou o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa.
A avaliação do dirigente é de que a missão cumpriu seu propósito de ampliar o diálogo internacional e fortalecer a articulação entre organizações comprometidas com a defesa das instituições democráticas.
Segundo Lisboa, a missão também buscou responder às movimentações de setores da extrema direita norte-americana que têm defendido ações de interferência no processo eleitoral brasileiro. “O objetivo, na verdade, foi fazer um contraponto à ação que a extrema direita dos Estados Unidos está fazendo”, afirmou.
Para isso, a comitiva apresentou informações sobre o funcionamento das instituições brasileiras e dialogou com organizações da sociedade civil norte-americana para ampliar o apoio internacional à democracia brasileira.
“O que a gente espera é que, a partir da ação organizada das organizações da sociedade civil, isso possa repercutir e gerar mais informação sobre a democracia brasileira.”
Agenda com parlamentares, sindicatos e organizações
Durante a semana, a delegação realizou reuniões com parlamentares democratas e republicanos no Congresso dos Estados Unidos. Entre eles estiveram os deputados Mark Pocan, Joaquin Castro, Chuy García e Jonathan Jackson, além de assessorias parlamentares ligadas a Jim McGovern, Sydney Kamlager-Dove, Tim Kaine e Peter Welch. A missão também manteve interlocução com representantes do Partido Republicano.
A programação incluiu ainda encontros com dirigentes da AFL-CIO, maior federação sindical dos Estados Unidos, reforçando a cooperação internacional entre as organizações de trabalhadores.
Além das atividades no Congresso, os representantes brasileiros dialogaram com integrantes da Embaixada do Brasil em Washington, representantes de organismos internacionais e diversas organizações da sociedade civil e think tanks dedicados ao debate sobre democracia, direitos humanos e políticas públicas.
Segundo Lisboa, um dos objetivos foi ampliar a articulação com esses setores para que acompanhem o cenário brasileiro e contribuam para difundir informações sobre o funcionamento das instituições democráticas do país.
“Fomos em vários gabinetes de deputados, inclusive de um senador do Partido Republicano. Fomos à Central Sindical AFL-CIO, em vários think tanks, que são instituições de pesquisas e organizações da sociedade civil, no sentido de mobilizar a sociedade civil dos Estados Unidos para acompanhar esse processo e também denunciar a intervenção do governo Trump no Brasil pelos seus mecanismos”, afirmou.
Defesa da soberania
As organizações participantes defenderam, ao longo de toda a missão, que o governo norte-americano respeite o princípio da não ingerência nas eleições brasileiras e reconheça o resultado das urnas assim que a apuração for concluída, independentemente de quem seja o vencedor.
Também reafirmaram a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e a solidez das instituições responsáveis pela realização das eleições.
Para a CUT, a defesa da democracia faz parte da agenda internacional do movimento sindical, uma vez que a preservação das instituições democráticas é condição para a garantia dos direitos sociais, trabalhistas e sindicais.
Democracia e ambiente digital
Outro eixo importante da missão foi o debate sobre o ambiente digital e seus impactos sobre os processos democráticos.
Durante atividades promovidas pela Heinrich Böll Foundation, os representantes das organizações discutiram a influência das plataformas digitais nas eleições, a necessidade de regulamentação das grandes empresas de tecnologia, o cumprimento da legislação brasileira pelas plataformas estrangeiras e os impactos ambientais da expansão dos data centers.
Também fizeram parte das discussões temas como desinformação, polarização política, violência política, discursos de ódio e os riscos que esses fenômenos representam para o fortalecimento das democracias.
Na avaliação da comitiva, o crescimento das campanhas de desinformação e dos ataques às instituições torna ainda mais importante a cooperação internacional entre organizações comprometidas com a defesa da democracia.
Fortalecimento da articulação internacional
Antes de apresentarem suas preocupações em relação ao Brasil, os integrantes da missão manifestaram solidariedade à sociedade norte-americana diante dos recentes ataques às instituições democráticas dos Estados Unidos e agradeceram o apoio prestado por organizações e lideranças daquele país durante os momentos mais delicados vividos pela democracia brasileira nos últimos anos.
A missão encerrou sua programação em Nova York com novos encontros institucionais e com organizações da sociedade civil. A expectativa das entidades participantes é manter esse diálogo internacional ao longo do processo eleitoral brasileiro, ampliando a cooperação entre organizações comprometidas com a defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito.
Comitiva
Além da CUT, participaram da missão representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Comissão Arns, Direitos Já! Fórum pela Democracia, Instituto Vladimir Herzog, Instituto Marielle Franco, Instituto Futuro, GIFE, IP.rec – Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife, LAPIN – Laboratório de Políticas Públicas e Internet, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Odara – Instituto da Mulher Negra, Plataforma CIPÓ, Libera e outras entidades da sociedade civil.
Fonte: CUT

