Com instauração de um governo autoritário, pedagogia de Paulo Freire está ameaçada

Além das falas carregadas de afirmações racistas, misóginas e preconceituosas, esta semana, o candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), soltou mais uma ataque. Durante entrevista à Rádio Jovem Pan, o presidenciável disse que se eleito, quer alguém que tenha autoridade para comandar o Ministério da Educação. “Estou procurando alguém para ser ministro da Educação que tenha autoridade. Que expulse a filosofia de Paulo Freire. Que mude os currículos escolares”, disse.
Afirmações como esta revelam a segregação e autoritarismo impregnados nas ideologias de Bolsonaro que, se colocadas em prática, representam retrocessos não apenas para educação, mas para diversos segmentos da sociedade.
Paulo Freire é considerado patrono da educação e suas obras revolucionaram o sistema de ensino no Brasil. Em uma época em que apenas ricos tinham acesso à educação, a pedagogia Freiriana trouxe uma metodologia inclusiva.
Freire pregava que a educação deveria ser uma prática de liberdade. Em sua trajetória, defendeu o ensino como forma de despertar o senso crítico do aluno,  ampliando sua consciência social para atingir a autonomia.
Hoje, suas obras são reconhecidas mundialmente e citadas em trabalhos acadêmicos de estudiosos. Entre elas, a mais conhecida é “Pedagogia do Oprimido”, que destaca que a educação é o caminho formação de sujeitos questionadores que buscam mudar sua realidade.
Outros livros como “Pedagogia da Autonomia”, “Educação: Prática da Liberdade” e diversos outros, são imprescindíveis para formação de docentes.
Os pensamentos disseminados no atual cenário político, em que o apodrecimento das relações e dos direitos, mostra que um possível governo autoritário, marcado pela divulgação de notícias falsas e em que as minorias são marginalizadas, é a volta aos tempos sombrios. Neste contexto,  iniciativas que tentam reverter as diferenças entre pobres e ricos, como é o caso da pedagogia de Paulo Freire, é demonizada.
Em tempos de ódio, de preconceito, de intolerância e, principalmente, de tendências autoritárias, direitos mais básicos como a liberdade de pensamento e expressão estão ameaçados.  Por isso,  resgatar e fortalecer o legado libertador de Paulo Freire é o caminho para humanização da educação com ética, amor e respeito às diferenças.

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