Coletivo da CNTE reforça rede de mobilização e práticas de educação antirracista

Na quinta-feira (20), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou a reunião virtual do Coletivo de Combate ao Racismo. Dirigentes dos sindicatos filiados em todo o Brasil participaram para debater ações de fortalecimento da educação antirracista, compartilhar experiências de mobilização nas bases e alinhar a programação para o Dia da Consciência Negra.
O secretário de Combate ao Racismo da CNTE, Carlos Furtado, iniciou o encontro com uma homenagem a educadores/as negros/as e líderes antirracistas do país. Para Carlos, a atividade reafirma a memória de resistência: “Nós somos uma teia de lutadores e lutadoras reunidos em cada ponto do Brasil. Onde nós estivermos, lá está um nome da educação antirracista, contra a discriminação, defensor de uma escola antirracista e igualitária”.
Participantes foram convidados a citar um exemplo que compõe a lista desses grandes nomes: Carolina Maria de Jesus, Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo, Milton Santos, Bárbara Carine, a secretária de Imprensa e Divulgação da CNTE, Iêda Leal, as professoras do Coletivo Antirracismo Milton Santos da APEOESP, Deborah Nunes e Anatalina Lourenço, o professor e ex-vereador de Cuiabá Rinaldo Ribeiro, além da ativista da AFUSE, Dalvani Lellis — patrona do Coletivo racial da CNTE.
Mobilização antirracista
Em seguida, os/as dirigentes compartilharam experiências locais de combate ao racismo desenvolvidas nos sindicatos. Marchas, palestras, cursos de letramento e lançamentos de publicações de escritores/as negros/as foram algumas das atividades citadas. No país todo, o Julho das Pretas foi um momento para intensificar essas iniciativas.
Os sindicalistas lutam nas bases para garantir que as discussões sobre preconceito nas escolas fizessem parte do dia a dia pedagógico, não limitadas à programação do mês da consciência negra, em novembro. A cultura afro-brasileira e das comunidades indígenas deve compor o currículo da educação básica, como determinam as Leis 10.639 e 11.645.
20 de novembro
Carlos divulgou informações sobre a programação da CNTE no contexto do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. A educação afro referenciada é o mote da campanha deste ano.
“Queremos explicar o que é essa prática afro-pedagógica, fornecer dicas de leitura e debater qual é o papel da CNTE e dos sindicatos filiados na cobrança por políticas públicas e pela formação continuada antirracista”, explicou o secretário.
Planos e encaminhamentos
O coletivo está desenvolvendo o “Prêmio Camélia Sindical de Boas Práticas Antirracistas”, um concurso nacional destinado a reconhecer, valorizar e divulgar práticas pedagógicas, educacionais e culturais comprometidas com a igualdade racial e a construção de uma educação antirracista. A camélia é um símbolo histórico da luta abolicionista.
Outra sugestão, a ser realizada durante a gestão 2026/2030, é a criação de um observatório para registrar e socializar as escrivências dos coletivos e sindicatos filiados à CNTE. O objetivo é criar um repositório das ações e trabalhos desenvolvidos na base, permitindo que as pessoas busquem, pesquisem e se inspirem nas práticas antirracistas de todo o Brasil.
“Eu quero que a gente construa um coletivo que deixe marcas, para os outros que vierem continuarem o trabalho e para nossa luta seguir com força nacional. Sem vocês, cada estado, coordenador/a e sindicato isso não é possível”, disse Carlos.
A próxima reunião será realizada em 2027, em decorrência do calendário eleitoral e demais atividades já programadas nos sindicatos a partir de novembro. O encontro presencial nacional dos coletivos antirracistas em processo de planejamento.
Fonte: CNTE
