CEM 01 de Sobradinho realiza exposição na Galeria de Arte Vincent Van Gogh

img-20161018-wa0009A exposição, intitulada “Revirando o baú”, resgata os 50 anos de história do Centro de Ensino Médio 01 (CEM 01), de Sobradinho. E, nesse revirar de baú, várias gerações de educadores (as) e estudantes poderão revisitar a história, reencontrar ex-colegas, reviver o passado e até mesmo repensar o futuro. A abertura irá ocorrer no dia 21 de outubro, às 20h, na Galeria de Arte Vincent Van Gogh, situada na Quadra 8, de Sobradinho, e a visitação prosseguirá até o dia 30 de novembro, das 8h às 22h.
Apesar de ser fruto de um semestre de pesquisa dos (as) estudantes das 48 turmas, o projeto interdisciplinar Revirando o Baú é também uma ocasião para outro tipo de reflexão, afinal, o trabalho traz a preocupação com o aprendizado e a importância da história na formação da cidadania e das subjetividades do (a) de cada pessoa, com o Ensino Médio e com a escola pública e gratuita num momento em que tudo isso tem sido atacado por políticas privatistas e inconsequentes que trazem prejuízos profundos para a educação pública.
Um exemplo é a Medida Provisória (MP) 746/16, que propõe, sem discussão nenhuma com a comunidade escolar, uma reforma do Ensino Médio que piora o que já está ruim, promove o fatiamento do currículo, reforça as desigualdades de oportunidades, retira disciplinas, transforma Artes, Filosofia, Sociologia e Educação Física em optativas entre outras aberrações. “Essa reforma vai transformar a escola na cara dos seus jovens estudantes? Se não, não tem sentido. A juventude escolar está entalada num sistema que não o atrai. Está passiva. Precisamos de uma reforma construída pela comunidade escolar, com protagonismo da juventude, que a estimule a fazer trabalhos desafiadores. A MP do Ensino Médio não foi discutida com ninguém”, pondera Cleiton Torres, professor de artes da escola.
Ele diz que quando vê esse tipo de coisa acontecer no país se lembra da Aula Espetáculo de Ariano Suassuna, realizada em junho de 2013, no Teatro Nacional, em Brasília, quando o escritor fez uma comparação entre a situação do povo brasileiro e a do cachorro: “Só dão osso ao cachorro e o cachorro come com avidez e aí dizem que o cachorro é doido por osso; ele é doido por comida! E Capiba [um compositor] dizia, bote o filé e bote o osso para ver qual que o cachorro escolhe. Pois bem, o que está me deixando indignado é que não estão dando direito ao povo brasileiro, principalmente aos jovens, de entrar em contato com o filé, só dão osso a eles”.
Metodologia – Cleiton Torres conta que os (as) estudantes do regular diurno, envolvidos (as) nesse projeto, não foram ao computador copiar e colar informações. “Foram a campo pesquisar. Saíram do mundo virtual e se apropriaram da história da escola, do conhecimento e, agora, irão devolver para a sociedade, de forma criativa, artística e poética, a produção que conta a história dos 50 anos do CEM 01”.
Ele diz que o objetivo do trabalho, realizado durante o primeiro semestre letivo, foi o de resgatar a história por intermédio de 24 temas atuais e, assim, conectar pessoas às diversas realidades e subjetividades que resultaram na realidade vivida hoje pela comunidade escolar do CEM 01 de Sobradinho. Os (as) estudantes fizeram um levantamento e encontraram documentos, fotos, jornais, entrevistas, entre outros objetos históricos que serão expostos.
“O visitante perceberá a riqueza histórica coletada na comunidade pelos (as) estudantes sob a supervisão dos (as) seus (suas) professores (as) e orientadores (as) educacionais, que encorajaram os (as) jovens a se apropriarem da história da escola”. Torres lembra ainda um texto do educador e psicanalista Rubem Alves, intitulado “Gaiolas e asas”, no qual o educador faz uma crítica às escolas que levam a juventude a desaprender.
“Há escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados têm sempre um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”, escreveu Alves.
 

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