Carestia e neoliberalismo: o Brasil no fundo do poço

Todos os dias os brasileiros acordam com um novo preço, sempre mais caro, da gasolina e do gás de cozinha. Juntamente com isso, também os preços dos alimentos e tudo o que se precisa para viver. Há 5 anos, o País se depara, todo dia, com uma novidade negativa advinda de uma atitude do governo federal.

 

Nos últimos 3 anos, além de ver seus direitos extintos por reformas não autorizadas que atendem a pleitos de empresários, banqueiros e até de países estrangeiros, o brasileiro voltou a encarar a velha inflação diária e o aumento dos preços de tudo que ele precisa para viver numa escalada sem controle, como já ocorreu antes de País implantar o Plano Real.

 

Sem poder esconder a realidade, a mídia liberal se contorce em malabarismos para omitir os reais motivos da inflação, dos reajustes sucessivos da gasolina e de seus derivados, como o gás de cozinha, da elevação diária do preço de todas das coisas, dos índices altos de desemprego, da volta da miséria e da fome, do fim do Plano Real e de muitas outras tragédias sociais em curso por causa da política neoliberal.

 

Quando a crise econômica piorou, entre 2020 e 21, a mídia encontrou na pandemia do novo coronavírus uma forma de esconder da população que a crise era econômica. Milhões acreditaram que era o vírus, deram ouvidos a mais essa mentira e morreram de covid-19 para atender à imposição do ministro da Economia, Paulo Guedes, que chamou a doença letal e, naquele momento, sem cura e sem remédio, de “gripezinha”.

 

A vacina chegou, o País voltou à normalidade comercial e a crise piorou. Gasolina a R$ 8,00 o litro, gás de cozinha a R$ 140, mais de 15 milhões de desempregados, mais de 20 milhões de miseráveis passando fome, perda do poder aquisitivo de quem ainda tem emprego. Todos os preços subindo diariamente. O Produto Interno Bruto (PIB) cai vertiginosamente, impedindo o Brasil de crescer. E vai piorar porque o problema não é a pandemia e sim a política neoliberal.

 

Esse modelo econômico foi criado para enriquecer com dinheiro público – advindo dos impostos populares e das riquezas dos Estados nacionais –, com a carestia, com o desemprego etc. um pequeno grupo de empresários e banqueiros nacionais e estrangeiros. Trata-se de um modelo econômico tão perverso que foi banido de vários países desenvolvidos.

 

Ele é o responsável pela carestia porque a carestia é um mecanismo econômico neoliberal de enriquecimento para grandes banqueiros e empresários. O preço da gasolina e o do gás de cozinha está elevado porque o ilegítimo governo Michel Temer (MDB) e o governo Bolsonaro instituíram uma nova política de preços na Petrobrás e dolarizaram da economia. Isso, e a dolarização, dentre outras coisas, também afetam o preço dos alimentos e a oferta de emprego e renda e faz parte da economia neoliberal.

 

É muito chato e desinteressante ler um texto com essa insistente repetição da palavra “neoliberal”. Não é? Mais chato ainda é ficar desempregado ou empregado com salário sem poder aquisitivo porque não entendeu as manobras neoliberais para enriquecimento de poucos. É preciso repetir para que se entendam as coisas da economia e não errar na hora do voto em 2022. É preciso elucidar também que as propostas de reformas constitucionais estão intimamente relacionadas à elevação dos preços das coisas.

 

PEC 32/2020 e a privatização das finanças públicas do Brasil

Um estudo do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típica de Estado (Fonacate) revelou, na semana passada, que o governo Bolsonaro atua na financeirização e privatização das finanças públicas no Brasil. Durante audiência pública virtual realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal, no dia 8 de novembro, a Fonacate lançou a nova série de Cadernos da Reforma Administrativa sobre “Financeirização e Privatização das Finanças Públicas no Brasil: arranjo institucional e implicações econômicas e sociais”.

 

Os estudos, elaborados em parceria com a Frente Servir Brasil, demonstram como a PEC 32/2020 tem objetivos fiscalista e privatista. É importante revisitar a história do Brasil para que tragédias sociais como esta que o País enfrenta e essas manobras econômicas financistas e privatistas não sejam esquecidas e não sejam vividas novamente.

 

O Brasil já passou por essa tragédia neoliberal com o PSDB no governo, nos anos 1990. E foi retirado do poder por causa disso. Essa política econômica só voltou ao País, em 2016, por meio do golpe de Estado, da Operação Lava Jato, da eleição fraudada por fake news em 2018, da intervenção da mídia liberal com um noticiário agressivo e mentiroso sobre os governos populares e outras mazelas da corrupção que formaram o golpe de 2016 e prosseguem até hoje.

 

As reformas constitucionais que privatizam direitos fundamentais contidos na Constituição em curso são parte desse golpe de Estado. Para garantir a perpetuação disso, o presidente da República Jair Bolsonaro (ex-PSL e atual PL) inventou, em 2019, as chamadas emendas do relator para comprar votos de parlamentares e aprovar os projetos neoliberais antipopulares, como a reforma da Previdência, a PEC do calote nos precatórios, a PEC 32 – da destruição dos serviços públicos, a privatização dos Correios e Telégrafos, da Eletrobrás, da Petrobrás, retiradas sucessivas de mais da metade do orçamento da Educação pública superior e básica, da pesquisa científica, do Sistema Único de Saúde (SUS), dentre muitos outros ataques.

 

As tretas do neoliberalismo, o golpe de Estado e a corrupção com dinheiro público



O neoliberalismo vive de tretas, passando a perna nas pessoas, para manter a corrupção e enriquecer um pequeno grupo de banqueiros. As emendas do relator, invenção de Bolsonaro e apelidadas de “Pix do Lira”, são parte disso. São cheques em branco ao portador por meio dos quais Bolsonaro entrega bilhões em dinheiro público para políticos votarem em projetos do seu governo e, os políticos, por sua vez, não precisam prestar contas desse recurso público.

 

O objetivo é apenas usar dinheiro do Estado para manter a corrupção eleitoral e garantir a sua vitória nas eleições de 2022.  Para se ter uma ideia do prejuízo do País com este governo, só em outubro deste ano, o governo Bolsonaro desviou R$ 3,8 bilhões para aprovação da PEC dos precatórios.

 

A ONG Contas Abertas, que fiscaliza o Orçamento público, afirma que, uma semana antes da aprovação da PEC dos Precatórios, em primeiro turno, o Presidente da República empenhou R$ 909 milhões só em emendas do relator. A ONG, que fiscaliza as contas do governo, revelou que só as emendas parlamentares individuais, entre senadores e deputados federais, custaram R$ 9,6 bilhões aos cofres públicos em 2021.

 

Também mostrou que as emendas para as bancadas dos partidos custaram R$ 7,3 bilhões. As de comissão foram zeradas. E as de relator, que começaram a partir do Orçamento de 2020, inventadas pelo governo Bolsonaro, custaram R$ 18,5 bilhões. Essa política de desviar dinheiro público para sustentar projetos neoliberais também está relacionada aos lucros exorbitantes dos bancos. Neste último trimestre, quando o poder aquisitivo caiu e a população perde emprego e renda, os bancos aumentaram em  28,5% o seus lucros.

 

Em ano de perdas econômicas para a população assalariada e para pequenos e microempresários, as instituições bancárias lucram R$ 17,88 bilhões só no terceiro trimestre de 2021. “Essa é a política neoliberal que desde 2016 dirige o Brasil”, aponta a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR).

 

Todas as categorias profissionais são afetadas por esse projeto econômico em curso. E não é diferente com a nossa, de professores(as) e orientadores(as) educacionais. Além das perdas de direitos que nos fazem ter de ir para manifestações públicas nas ruas em plena pandemia, a categoria vive uma perda de poder aquisitivo vertiginoso tanto por causa da política econômica neoliberal como pela falta de pagamento da última parcela do nosso plano de carreira em atrasado.

Até mesmo essa recusa insistente de não pagar nosso direito ao reajuste, última parcela do plano de carreira de 2015, faz parte da política neoliberal de drenar o dinheiro público para o bolso dos empresários e banqueiros e do sucateamento dos serviços públicos para privatizá-los.

 

Por isso, a diretoria colegiada do Sinpro-DF avalia que chegou a hora de cada um de nós revisarmos nossos posicionamentos em relação ao voto que vamos dar nas eleições gerais de 2022. É fundamental observar se o nosso voto não estará carregado do ódio de classe instigado pelo discurso da mídia liberal e da influência ideológica desses políticos que estão no comando do País atualmente, bem como das crenças em fake news veiculadas pela imprensa capitalista.

A hora é agora de mudarmos a direção do País e de nossa categoria avaliar os programas de governo que estamos escolhendo para o Brasil e as pessoas que estamos colocando nos Poderes Executivo e Legislativo tanto federal como distrital. É esse o modelo de economia e de gestão pública que queremos manter: repleto de todo tipo de corrupção real e de mentiras para esconder um projeto de destruição do Estado de bem-estar social?